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Resenha (102) - Almanegra - Almanova 2


Sinopse:
Ana sempre foi a única. Marginalizada, Apartada. E, para piorar, após o Escurecimento do Templo causado por seu pai, vários cidadãos de Heart a culpam pela perda definitiva de algumas almas, as almanegras – e pelas almanovas que nascerão em seu lugar.
Sombras
Muitos temem a presença de Ana, um lembrete constante das mudanças irreversíveis. E quando as sílfides começam a se comportar de maneira diferente em relação a ela, Ana terá que aprender não apenas a se defender como àqueles que não podem fazer isso por si mesmos.
Amor
Ana aprendeu desde cedo que os sem-alma não podem amar. Mas, e as almanovas? Mais do que tudo, ela deseja ter a chance de viver e amar como qualquer outro cidadão de Heart, porém mesmo depois de Sam declarar seus mais profundos sentimentos, será que ela conseguirá superar uma vida inteira de rejeição e aceitar o amor? Almanegra explorar a belza e as profundezas sombrias da alma, numa história que é ao mesmo tempo um romance épico e uma fantasia cativante.

Almanegra é o segundo livro Trilogia Incarnate, escrito pela autora americana Jodi Meadows, portanto, essa resenha contém comentários, opiniões e trechos que podem ser considerados spoilers para os que não leram Almanova, primeiro livro da série.

Jodi mostrou em Almanova uma escrita muito envolvente e de fácil compreensão, com uma trama que, apesar de carecer de alguma amarrações e de um universo complexo, tem todos os elementos para te prender na história e para tornar todos os acontecimentos críveis dentro do que se passa no livro. Em Almanegra, a autora não perdeu a mão e seguiu escrevendo no mesmo nível, como se este fosse realmente uma segunda parte de uma mesma história, algo que muitas vezes não acontece em série, quando o autor se perde escrevendo qualquer coisa apenas para lançar um ‘livro do meio’ que acrescente pouco ou quase nada.

Apesar de ter gostado do desenrolar deste segundo volume, ele ainda é um ‘livro do meio’. De boa qualidade, mas sofre um pouco da velha falta de conteúdo e de grandes passagens onde a trama é cozinhada a fogo baixo, preparando o leitor bem vagarosamente para o desfecho final. A salvação está justamente nesse final. A virada na trama ocorre de forma bastante inesperada com fatos pouco previsíveis e cria grandes expectativas para o final da trilogia. O mínimo que podemos esperar é uma história bem original, interessante e surpreendente, afinal ficou quase impossível prever o que de fato irá acontecer com os velhos habitantes, os Novos e a comunidade em geral.

Apesar de ter gostado do que foi apresentado em Almanegra, achei ruim a forma como Ana é retratada e como andam as coisas entre ela e Sam. Havia escrito na resenha de Almanova que entendia as dificuldades da personagem em se encontrar e as dúvidas de Sam quanto ao relacionamento deles. Era natural e plausível que uma jovem reclusa, complexada e que pouco se relacionou com estranhos tivesse todos os problemas possível para se entregar ao amor e elogiei como Jodi Meadows havia conduzido essa parte, sem torná-la boa, fútil ou infantilizada demais. Infelizmente em Almanegra o clichê apareceu e tanto Ana como Sam passam a ter os velhos dilemas da literatura YA com relação a relacionamentos. Acredito que siso enfraquece os personagens, afinal eles podem lidar com uma espécie de apocalipse, mas não possuem maturidade para coisas simples como o inicio de um relacionamento.  Nunca vou entender essa lógica.

A história começa logo após o escurecimento do templo e a morte de todas aquelas pessoas após o ataque ocorrido em Heart mas aqui já temos um paradinha no ritmo. Ao invés de vermos o conselho lidando com a situação e Ana e Sam se envolvendo como líderes devido ao conhecimento que adquirem pelo pai de Ana, somos obrigados a ver os protagonistas lidando sozinho com a situação, sem saber direito o que se passou em Heart e ainda acompanhando o lenga-lenga que se tornou o relacionamento dos dois. A explicação é o tal do esquecimento que afeta à todos exceto a Ana, mas apesar de existir um motivo, a trama segue bem vagarosa e chata por boa parte do livro.

As coisas melhoram um pouco quando o primeiro bebê, desde que o conselho aprovou novos nascimentos após as mortes ocorridas no Escurecimento do Templo vem ao mundo! Como muitos em Heart esperavam, e você leitor com certeza deve ter deduzido, a criança também é uma almanova. Esse fato vai desenrolar uma escalada de ódio em Heart e tornar a vida de Ana realmente miserável.

Agora além de lidar com a culpa que já lhe impugnavam pelos acontecimentos em Almanova, terá também de lidar com a violência contra ela, contra pessoas próximas, contra as jovens vidas que virão ao mundo. E isso enquanto tenta decifrar o enigma que o maldito do seu pai deixou, se encontrar como mulher e como pessoa e se entender com Sam a um nível que seja considerado no mínimo normal.

O final vai responder quem é Janan, porque as pessoas sempre voltam após a morte e porque ela foi capaz de existir. As reviravoltas e surpresas que acompanham essas revelações  irá surpreender o leitor e colocar Ana em uma posição extremamente complexa, onde ela em breve poderá ter o poder de decidir entre a reencarnação ou não de todos que conhece.


Gostei do desenrolar da trama, dentro dos padrões do segundo livro de uma trilogia e principalmente, adorei o final! Criou muita expectativa sobre o que irá acontecer em Heart, o que Ana irá fazer sobre o que descobriu e como seu relacionamento irá sobreviver. Também fica a esperança de que a tal da perda de memória deixe de existir e Ana passe a receber um pouco de ajuda e interação por parte dos demais personagens.

Como comentei durante o texto, não do desenrolar do romance entre os protagonistas. É irritante ver jovens que por um lado são poderosas, por outro sofrem em dilemas absurdos e infantis. Fica a sensação de que a mulher pode tudo, até salvar o mundo, mas quando se trata de relacionamento são sempre umas tapadas histéricas.  Pelo menos, quando se trata de literatura YA, essa é a forma como são retratadas.


Trechinhos:

“- Eu iria a qualquer lugar com você. – Ele tocou meu rosto. – Não importa a distância, o lugar nem porquê. Quero ficar com você, custo o que custar.”

“Aquelas palavras. Elas faziam meu coração bater mais rápido. Queria ser capaz de lhe dizer como eu me sentia, o que ele provavelmente desejava escutar, mas só de pensar nas palavras eu começava a suar. Pessoas sem alma não podiam amar.”

“Você nos desafia, faz com que as pessoas pensem e abram os olhos para encarar as verdades que passaram tempo demais ignorando.”


“Janan não queria que eles soubessem. Que fizessem perguntas. Ele guardava um tremendo segredo naquele templo e naqueles livros, e, de alguma forma, isso estava ligado as sílfides. Eu só precisava descobrir que segredo era esse -  e usá-lo contra Janan.”

“- Que preço? – O corpo dele relaxou e a voz aqueceu, como se ele já soubesse. Quando sorri e ergui o rosto, Sam me beijou com tanta doçura que meu corpo inteiro estremeceu de desejo e adoração. Que outra pessoa no mundo conseguiria me fazer tão completa?
Ninguém, Somente Sam. Sempre fora ele.”

“O que acontecia após a morte? Para onde você ia? E o que fazia? O que mais assustava todo mundo era a possibilidade de você simplesmente acabar.”

Jodi Meadows
Conclusão:
Almanegra é um livro com autos e baixos. Consegue dar continuidade à trama do primeiro volume com a mesma qualidade e possui um ótimo final. Mas também cai em alguns clichês irritantes sobre a personalidade dos protagonistas. Como se trata do livro do meio da trilogia, podemos considerar que o balanço geral é um bom livro, pelo menos entrega o que promete, que é o gancho para o desfecho final da história que iremos acompanhar no próximo livro, ‘Infinita’.

Autora: Jodi Meadows
Livro: Almanegra (Asunder)
Editora: Valentina (Harper Collins)
Ano: 2015 (2013)
Página: 336

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