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Resenha (97) - Miniaturista


Sinopse:
Em 1686, a jovem Nella Oortman se casa com Johannes Brandt, um bem-sucedido mercador de Amsterdã, e se muda do interior da Holanda para a cidade grande. Nella acredita que o casamento com um homem rico e poderoso irá lhe proporcionar uma vida repleta de glamour e felicidade, no entanto, não é o que ela encontra quando chega à nova casa: por causa das viagens a trabalho, Johannes não é dos maridos mais atenciosos e Marin, sua irmã, se encarrega de controlar cada aspecto do lar e da família Brandt, revelando-se extremamente opressiva e dominadora.
Para agradar a nova esposa, Johannes a presenteia com uma miniatura da casa em que moram e, logo, Nella encontra um miniaturista para confeccionar algumas peças. No entanto, tudo começa a mudar quando o miniaturista passa a enviar obras que nunca foram pedidas, mas que não apenas refletem a realidade, como parecem anunciar futuras tragédias.
Encantador, belo e repleto de mistérios, Miniaturista é uma magnífica história de amor e obsessão, traição e vingança, aparência e verdade.


O Miniaturista é o livro de estreia da escritora e atriz britânica, Jessie Burton e foi o responsável por elevar a autora ao reconhecimento mundial logo de cara.

A trama se passa na Amsterdã de 1686, uma época em que a capital Holandesa era basicamente uma das maiores potências econômicas do mundo, se não fossem a maior. Mas também era uma época em que a liberdade de expressão e os direitos da mulher ainda eram regidos pela boa vontade dos homens, com a lei sempre pendendo para o interesse do mais poderoso no momento.

Esse cenário lindo e ao mesmo tempo caótico da cidade é muito bem explorado pela autora. É visível que tem bastante pesquisa histórica envolvida na história e é fácil se transportar até lá em cada passagem do texto. A trama também está de acordo com a época o que torna o livro muito interessante desde o início, principalmente para quem gosta de romances históricos. Mas não espere romance neste livro, mesmo que a sinopse possa sugerir o contrário.

Tampouco espere magia, superstição ou fantasia de qualquer tipo. A miniaturista, apesar de ser o título de capa, não é o foco principal da história. Está mais para o gatilho que movimenta os personagens mas não é o personagem principal, nem um antagonista. Nem mesmo está presente no final! Confesso que isso foi frustrante pois esperava justamente o contrário e fiquei na dúvida se foi proposital ou se a autora se perdeu durante a escrita, mas pelo menos a mensagem foi passada e o livro continua interessante mesmo sem a personagem que eu imagina praticamente como uma bruxa poderosa.

Golden Bend - Amsterdan séc 17

A trama começa com um casamento arranjado entre Petronella Oortman,uma bonita jovem do interior e Johannes Brandt, um dos mais ricos e bem sucedidos comerciantes de Amsterdã. Os noivos não se conhecem nem antes nem durante o casamento, sendo que Petronella viaja até a cidade sem ter ao menos conversado com o novo marido.

Ao chegar em sua nova casa, a frustração aumenta, pois o marido se encontra em uma viagem de negócios e vai demorar a chegar. Para piorar, sua cunhada, que aparentemente é a verdadeira dona da casa e quem cuida de tudo por ali não a aceita e começa a destratar a jovem senhora. Quando enfim Johannes retorna, as coisas não melhoram pois este a ignora completamente, nem mesmo a visita em sua cama, e Petronella começa a compreender que está vivendo um casamento totalmente de fachada.

Em dado momento ela recebe um presente do marido. Uma casa de bonecas que é a casa deles em escala reduzida. Disposta e mostrar que gostou do presente, ela procura um miniaturista para preencher a casa e após um primeiro pedido, começa a receber encomendas não solicitadas que mais parecem uma profecia maléfica das coisas ruins que acontecem com a família.

Os problemas não param de surgir e vamos acompanhar a família lutando para encontrar um caminho em meio às intrigas, inveja e raiva dos rivais da cidade e muitas vezes entre eles, que podem até mesmo levar Brandt a prisão, ou pior, a morte.


Adorei o cenário, a forma como a trama foi desenvolvida e a maneira de escrever da autora. Como comentei ai em cima, não é difícil viajar no tempo quando estamos lendo o texto da Jessie Burton e um livro baseado em cenários e tempos reais não pode falhar nisso. A Petronella também é ótima, assim como todos os outros persoangens. É fácil ter empatia por todos e entender seus motivos e suas vontades.

Não gostei da tal da miniaturista. A autora não explorou essa pessoa e o livro acaba sem sabermos direito quem era ou o que queria ou principalmente como conseguia suas profecias. A sensação que ficou é que a autora se perdeu ao amarrar os dois pontos da história, entre Petronella e Johannes e que esse personagem estava lá apenas para dar uma aura de mistério. Não estragou a história, mas senti que o livro seria mais legal sem a tal miniaturista e somente com os elementos e a trama muito bem elaborada que a autora criou na antiga Amsterdã.


Trechinhos:

“Mas... amor, mãe. Eu vou amá-lo? “ A moça quer amor”, gritou a Sra. Oortman teatralmente para os muros descascados de Assendelft. “Ela quer os pêssegos e ainda por cima o creme.””

“Meu marido não é rico o bastante para alguém viajar no lugar dele? Otto franze a testa para a faca que está polindo. – É preciso manter sua fortuna, e ninguém vai fazer isso por você. Se não cuidar dela, escorrerá entre seus dedos...”

“Volumoso, do tamanho de um prato de jantar, foi embrulhado com papel macio e amarrado com barbante. Escreveram uma frase em volta do sol, em letras maiúsculas pretas:  TODA MULHER É ARQUITETA DE SUA PRÓPRIA SORTE. Nella a lê duas vezes, confusa, sentindo uma empolgação de nernovo na barriga. “Mulheres não constroem nada, muito menos sua própria sorte.””

“Não – responde ela. – Acho que vou ficar aqui. Vou mandar os presentes que comprei. Iremos no próximo ano. – Vamos ter um grande banquete – propões Marin. – Nada de arenque? – De jeito nenhum. As promessas das duas mulheres pairam entre elas como um par de mariposas, carregando o ar com uma energia renovada.”

Jessie Burton
Conclusão:
Um livro bom para quem gosta de romances históricos ainda mais por ser ambientado na Holanda de séculos atrás, um cenário que não é muito comum, pelo menos não nos livros que chegam até nós. O leitor só não pode ter muitas expectativas com relação as relações amorosas dos protagonistas ou com o que de magia que tem na miniaturista.

Autor: Jessie Burton
Livro: O Miniaturista (The Miniaturist)
Editora: Intrínseca (Ecco)
Ano: 2015 (2014)
Páginas: 352

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