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Lançamentos de Setembro da Autêntica

A Província dos Diamantes - Fernando Marques
Embora remeta à Polônia e, mais até, à pequena cidade de Jerzy Grotowski, como descreve um dos textos do livro, a província dos diamantes do título é Brasília. É a cidade de Fernando Marques, onde ele, persistente, consegue escavar joias. Seus ensaios sobre teatro reunidos aqui são claros, reveladores, muitos deles publicados em veículos como a Folha de S. Paulo; orgulho-me de ter sido um de seus muitos editores. É um observador do palco que desvenda a Brasília de nomes como Hugo Rodas, mas cujo olhar esclarecedor se estende por todas as direções. Que não teme, por exemplo, questionar Ariano Suassuna quando identifica um deslize na composição de O santo e a porca; que penetra no Oswald de Andrade mais político e sugere encenar O homem e o cavalo na Praça dos Três Poderes; que encontra frescor e informações novas sobre Nelson Rodrigues, resgatando um hoje esquecido Álvaro Lins. Fala com apaixonada propriedade dos musicais brasileiros, proclamando que os reis da vela e de Ramos engoliriam o rei Leão. Sabedor dos limites não só do teatro como da imprensa brasiliense, Marques tem seus estudos publicados por todo o país e, mais recentemente, pela cada vez mais consistente rede nacional de sites de teatro. Seu livro é também o retrato dessa diversidade crescente — e de uma dedicação capaz de iluminar o país.

Representações do Outro - Discurso, (Des)Igualdade e Exclusão - Glaucia Muniz Proença Lara, Rita de Cássia Pacheco Limberti
Glaucia Lara e Rita Limberti sempre buscaram, no garimpo das vozes abafadas das minorias sociais, o discurso como objeto de estudo, a partir do ponto de vista do respeito ao Outro. Ambas edificaram suas carreiras acadêmicas não só como pesquisadoras, na busca de fenômenos sociais e linguísticos no ambiente em que eles ocorrem, mas também como docentes que sempre tiveram na ponta do giz, em sala de aula, a magia de despertar curiosidade intelectual em cada estudante. Mergulhadas no ideal de
(des)velar os excluídos e os injustiçados, derrubaram fronteiras institucionais. Corajosas, as duas levantaram bandeiras desafiadoras. Lara privilegiou a crítica ao discurso purista em torno da língua padrão ideal, na esteira da luta contra o preconceito linguístico. Limberti, por sua vez, valeu-se das heranças da colonização brasileira para revelar, no discurso dos índios, o clamor de uma cultura de matizes próprios, que adquire significação no grito indígena em oposição ao preconceito linguístico e cultural do homem branco. A pluralidade desta coletânea que ambas logram colocar nas mãos do público leitor reflete apenas parte do perfil acadêmico-profissional das organizadoras.

Gestão & Educação - Viviane Klaus
Muito já se escreveu e se discutiu sobre a administração e a gestão da educação. Neste livro, o que há de novo é a perspectiva teórica a partir da qual a autora aborda o assunto, bem como as conexões que ela estabelece entre a administração, a gestão e os atuais cenários liberais e neoliberais, tanto no âmbito brasileiro quanto no internacional. Trata-se de uma obra que problematiza a mudança de ênfase da
administração para a gestão da educação a partir de um olhar histórico e crítico, mostrando que tal mudança está necessariamente vinculada às mais amplas e profundas transformações socioeconômicas contemporâneas.




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Flush - Uma Biografia - Virginia Woolf
Na primavera de 1935, Virginia Woolf terminara de escrever As ondas, talvez o mais experimental de seus livros. Estava exausta. Para espairecer, lia os dois volumes da correspondência de Elizabeth Barrett Browning, a importante poeta da era vitoriana, mais conhecida no Brasil pelo livro Sonetos da portuguesa (trad. Leonardo Fróes, Rocco). Foi instigada por essa leitura que Virginia resolveu escrever Flush: uma biografia.
O relato de Virginia inicia na época em que Elizabeth conheceu o poeta Robert Browning, com quem, pouco tempo depois, ela se casaria às escondidas, “fugindo” com ele para a Itália. Foi um pouco antes disso que ela recebeu de presente, da também poeta Mary Russell Mitford, um filhote de cocker spaniel chamado Flush, que teria um importante papel em sua vida.
Para surpresa da própria Virginia, o livro foi um sucesso de público. Em compensação, foi praticamente ignorado pela crítica. Ou, pior, quando mereceu alguma atenção, foi apenas para ser classificado como uma peça que representava o fim da carreira literária de uma grande escritora.
O livro continuou relegado ao porão das curiosidades literárias pelas décadas seguintes até ser redimido, no final dos anos 1990, pelo florescente campo acadêmico dos “Estudos animais”. Mas não sem algum reparo: embora alguns lhe atribuam o mérito de certo pioneirismo ao assumir uma visão menos antropocêntrica do mundo, outros criticam-no por perpetuar a tendência antropomorfizante que caracterizaria a literatura em geral. De qualquer maneira, a renovada importância dada ao livro no contexto da chamada “virada animal” significou uma espécie de vingança da divertida paródia biográfica de Virginia.
Diversão ou objeto digno de estudo, pouco importa: o livro é bom de ler. E, graças às ilustrações da jovem artista britânica Katyuli Lloyd, é também bom de ver.

Ler é Mais

Lorem ipsun