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Resenha (94) - Armada


Sinopse:
Zack sempre sonhou com uma realidade parecida com o universo dos livros e filmes de ficção cientifica. Por que nunca acontecia algo fantástico que pudesse trazer um pouco de aventura à sua vidinha mais ou menos? Então, de repente, ele vê uma nave espacial. E, mais estranho ainda, ela é idêntica à do seu videogame preferido. Agora, suas habilidades ao joystick serão fundamentais para salvar a Terra da destruição!

Depois do que li em O Jogador N°1, primeiro livro de Ernest Cline, decidi que iria ler qualquer coisa que o autor produzisse, pois para mim esse havia sido um dos melhores livros em que coloquei as mãos. Jogador N° 1 faz parte do seleto grupinho de livros que vou sempre recordar com carinho e sempre irei recomendar com a certeza de que estou indicando algo bom. E esse foi o principal motivo para ler Armada, o segundo livro do autor.

Mesmo sabendo que raramente o nível da escrita permanece quando o autor escreve outro livro, foi impossível manter as expectativas baixas. Estava realmente ansioso para ler e no final não me arrependo de ter esperado uma nova obra-prima, mesmo que este livro tenha ficado um pouco distante da qualidade e originalidade do primeiro.

O livro não chega a ser ruim, não naquele nível que causa arrependimento pelo dinheiro gasto pelo menos. O autor se perdeu nos clichês e essa é a verdade! Na tentativa de criar uma nova obra geek e nerd a altura dos fãs, ele produziu um livro com um enredo raso e recheado de passagens extremamente previsíveis. A trama é tão frágil quanto a sinopse sugere! Só se salvou por causa da habilidade de Cline em produzir bons personagens e por causa das divertidíssimas referencias a ícones pops. Mas um alienígena viciado em cultura pop terráquea foi forçar um pouco demais as coisas.

Apesar da história fraquinha e pouco original(e já disse que tem clichês demais?), o livro consegue ao menos ajudar a passar o tempo. Uma história para divertir e entreter, personagens interessantes e que não estragam o enredo, bastante ação e o mais legal para um nerd como eu, batalhas de naves e robôs gigantes! Mas tirando o contexto, toda a trama é uma sucessão de fatos dignos de filme da sessão da tarde, previsíveis e o mais legal que eram as referências aos anos 80 e 90 acabou se tornando a coisa mais irritante do livro. O autor tentou repetir a fórmula ao invés de usar da criatividade e criou um livro que, baseado na opinião da blosfera, deixou ele bem queimado com seu recém conquistado público.

Na trama, que é narrada em primeira pessoa, Zack vive sua vida normal de adolescente deslocado quando, sem mais nem menos, começa a ver naves espaciais no céu. A principio acha que está meio louco, afinal não viu ninguém comentando o ocorrido e principalmente porque as naves possuem o padrão de um jogo de fliper, mas tudo se torna real demais quando uma nave, essa vista por todo mundo, pousa no pátio da escola e requisita a presença do rapaz para ser levado a um centro de recrutamento do exército.

Com uma gigante teoria de conspiração que não tem nada de teoria neste caso, Zack nos conta que o exército vem treinando os jovens a muitos anos nos preparando para uma gigante batalha alienígena pela salvação da raça humana. A forma de treinamento escolhida foram os games de fliperama e depois mmorpgs de batalhas espaciais ou de robôs, que sem que percebêssemos, estava orientando a raça humana sobre como se defender e sobre como seriam nossos inimigos.

Devido a sua posição no rank do jogo, Zack é inserido em um grupo de elite responsável por impedir as tropas inimigas de chegarem a terra, enquanto os demais humanos do mundo são convocados e acessar seus computadores e tomar o controle de uma das naves ou máquinas disponíveis por ai para serem controladas remotamente. Enquanto tenta assimilar essa nova realidade em sua vida, Zack precisa lidar com a verdade sobre o que aconteceu com seu pai e com a conspiração que rola dentro do exército que aparentemente vem escondendo a verdade sobre o que ocasionou esta guerra. A batalha, que a principio era somente controlar máquinas remotamente, se torna sangrenta quando as primeiras linhas terrestres caem e Zack percebe que ele pode ser o único capaz de realmente salvar a humanidade.


Gostei da ideia por trás do livro, da teoria de conspiração que sustenta o enredo e dos dois jovens que são os personagens principais, apesar da menina ter sido bem pouco explorada nesse livro.

Falar sobre o que não gostei é bem complicado porque não sei por onde começar. O problema não são somente os clichês, apesar de tudo na obra ser totalmente previsível demais. O livro passa a sensação de que foi escrito de um fôlego só, como se nem houvesse sido revisado. O final, se não houver uma continuação, foi (clichê óbvio) e bastante frustrante. Existiam milhares de desfechos para o livro e o autor elegeu um dos piores. E as referências a cultura pop, que deveriam ser o diferencial como foram no primeiro livro, só ajudaram a tornar tudo meio maçante e sem graça.


Trechinhos:

“Voltei a olhar para o disco. Ainda não sabia dizer o que era, mas sabia o que não era: um meteoro. Nem um balão meteorológico, nem gás do pântano, ou raio globular. Não, o objeto voador não identificado para o qual estava olhando com meus próprios olhos definitivamente não era desta Terra.”

“Assenti e abri a boca para desejar boa sorte, mas só consegui dizer “Boa...”, quando ela se virou e deu um beijo na minha bochecha. Isso pode ter provocado uma pequena queda na integridade estrutural das articulações do meu joelho, mas consegui manter a compostura.”

“E se eles estiverem usando videogames para nos treinas sem que nós sequer saibamos? Assim como o Sr. Miyagi em Karatê Kid, quando ele fez o Daniel-san pintar sua casa, lizar seu deque e encerar todos os seus carros – ele o estava treinando e o garoto nem percebeu! Encera daqui, encera dali – mas em escala global!”

“Por ora, eu pretendia seguir o conselho atemporal de mestre Yoda – concentrar a mente onde eu estava, e no que estava fazendo. E fazer tudo que eu pudesse para proteger o que agora era mais importante para mim.”

Ernest Cline
Conclusão:
Se não fosse o estrondoso sucesso de Jogador N°1, esse livro não teria sido editado. Há diversas falhas na trama e na construção do texto que com certeza teriam sido melhor trabalhadas ou até mesmo retiradas do livro. A ideia é boa do livro é boa e manter as tiradas e referências que fizeram sucesso no outro livro está ótimo, mas o autor não pode abusar dessas referências nem esquecer que elas não são o ponto principal do livro, deixando de lado a trama e a história que sustenta tudo isso.

Autor: Ernest Cline
Livro: Armada (Armada)
Editora:  Leya (Crown Publishing Group)
Ano: 2015 (2015)
Páginas: 432

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