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Resenha (90) - O Assassino do Rei

O Assassino do Rei - A Saga do Assassino 2


Sinopse:
Uma nova e perigosa missão coloca a coragem de Fitz à prova. Será ele capaz de carregar o destino do Reino em suas mãos?
O jovem Fitz, filho ilegítimo do nobre Príncipe Cavalaria, é ignorado por toda a realeza, exceto pelo tortuoso Rei Sagaz, que o treinou na obscura arte do assassinato. Fitz mal acaba de sobreviver à sua primeira missão, que quase esfacelou sua alma, e retorna à corte onde foi jogado de cabeça no tumulto da vida real.
Com o Rei à beira da morte, e com seu único aliado envolvido em uma missão com poucas chances de sucesso, o trono em si está ameaçado. Enquanto isso, o traiçoeiro Navio Vermelho renova seus ataques aos Seis Ducados, abatendo os moradores de todas as cidades da costa. Neste momento de grande perigo, fica claro que o destino do reino pode estar nas mãos de Fitz – e seu papel em sua salvação pode requerer de Fitz seu último sacrifício.

Fitz Treina para Ser Assassino.
Esse é o segundo livro de uma série, portanto essa resenha vai ter spoilers do primeiro livro. Se você não leu o primeiro livro quer saber mais sobre a história, leia nossa resenha de ‘O Aprendiz de Assassino’.

Quando li O Aprendiz de Assassino,   na hora concordei com George R. R. Martin que afirmava que esse era um diamante perdido em um mar de brilhantes. A história criada por Robin Hobb é algo raro quando consideramos a engenhosidade e a qualidade dos livros atuais que chegam até nós.

Os Seis Ducados
Toda a genialidade que encontramos no primeiro livro está no segundo e com algumas melhorias. A leitura ficou mais fácil, pois agora estamos habituados com os personagens e com o que significa o Talento e a Manha e também como a magia funciona nesse mundo.

O Assassino do Rei se aprofunda em alguns temas do cotidiano dos personagens, mas o livro continua sendo uma história de política e guerra. As intrigas e as manobras políticas do reino continuam dando o ritmo da história, assim como foi no primeiro livro. A escolha da autora em trabalhar melhor alguns pontos apenas tornou o que já era bom ainda melhor, sem mudar o ritmo da narrativa e sem decepcionar aqueles que se encantaram por O Aprendiz de Assassino.

Ataque dos Navios Vermelhos
No primeiro livro conhecemos Fitz, um bastardo de um príncipe real que é entregue por seu avô as portas da sede do reino. Aceito como filho do Principe Cavalaria, Fitz é instruído pelo Rei a controlar o talento e a aprender, secretamente, a arte dos assassinos para que no futuro possa fazer serviços em nome do Rei. Na sua primeira missão ele quase é assassinado pelo irmão de Cavalaria, Majestoso que quase leva o reino à outra guerra em meio à crise causada pelos ataques dos Navios Vermelhos, que já se alastra por todo território litorâneo dos seis ducados.

O segundo livro começa exatamente onde terminou O Aprendiz de Assassino. Sem saltos temporais, o autor aproveita a mais de 700 páginas para detalhar bastante a história, fazendo os dois livros se encaixarem de forma linear e agradável ao leitor.

A trama volta a focar mais nos Navios Vermelhos, que parecem ser o verdadeiro inimigo a ser batido na história e alguns novos elementos são inseridos, como um melhor detalhamento do Talento e da Manha, além da vida pessoal e das emoções dos personagens serem melhor trabalhadas.

Fitz e Lobito
A manha por sinal ganha mais destaque e um novo personagem animal aparece no livro. Um filhote de lobo que ganha o coração de Fitz e o deixa incapaz de impedir a ligação mágica que a manha proporciona. Lobito, nome dado ao lobo por fitz, ganha um papel importantíssimo na história sendo parte fundamental ao desenvolvimento da trama e principalmente do final dessa segunda parte.

Um dos pontos alto do livro é o ressurgimento de Moli. A garota acaba indo trabalhar no castelo e Fitz finalmente terá de lidar com as mentiras que contava aos seus amigos quando saia escondido para brincar além de ter que aprender a lidar com seus sentimentos e a descobrir o amor, tarefa que não é fácil em um reino que está se esfarelando, sendo atacado por uma força estrangeira misteriosa, com boatos de revolta, traição e assassinato, mais especificamente o seu assassinato, possibilidade que assombra o dia a dia do jovem.


Gostei da forma como a história de desenrolou e os caminhos escolhidos pelo autor. Também foi muito bom ele dar mais espaço para a Moli, uma personagem muito forte desde o comecinho. E gostei principalmente da ênfase que é dada a ‘manha’, que é somente pincelada no primeiro livro mas que ganha força total na continuação e deixa a indicação de que será ponto chave no desfecho final da história. O final também foi fantástico, original e um gancho perfeito para o terceiro livro.

Esperava mais participação do Talento. Fitz perde muito tempo tendo pena de si e achando que não consegue, deixando o leitor na expectativa de quando ele finalmente vai dominar a magia, mas a verdade é que esse momento não chega. O Fitz é aquele cara quase bom, mas que não chega ao ápice e o segundo livro ainda terminou assim. Esperava que ele iria se tornar mais poderoso ainda nesse segundo livro e isso foi o que menos gostei do livro.


Trechinhos:
“Quanto a ela, parecia completamente inconsciente de como os seus olhos eram capazes de se encontrar com os meus e transformar a minha língua, dentro da boca, em um pedaço de couro. Nenhuma magia que eu dominasse, nenhum Talento, nenhuma Manha, nada me fazia resistir ao toque inesperado da sua mão na minha nem conseguia evitar que eu ficasse atrapalhado diante da graciosidade do seu sorriso.”

“É estranho pensar que tantos acontecimentos dependem do orgulho inconveniente de um rapaz e da sua aceitação conformada das derrotas.”

“Eu usei o Talento em você – disse ele. Fiquei em silêncio e pensando. – Não senti nada. – Não pretendia que sentisse. É como lhe disse há muito tempo. O talento pode ser um suave murmúrio ao ouvido de alguém. Não precisa ser um grito de ordem.”

Robin Hobb
Conclusão:
O Assassino do Rei é um raro caso em que o 2° livro de uma série está à altura do primeiro. Mantendo a mesma cadencia Robin Hobb consegue repetir o feito de escrever um livro excelente, praticamente sem falhas e totalmente viciante. Se o desfecho final da trilogia mantiver o nível, podemos garantir que A Saga do Assassino entrará para a história como uma das melhores trilogias de fantasia de todos os tempos.

Autora: Robin Hobb
Livro: O Assassino do Rei (Royal Assassin)
Editora: Leya (Bantam Spectra)
Ano: 2014 (1996)
Páginas: 736

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