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Resenha (89) - O Aprendiz - O Conjurador


Sinopse:
Em O aprendiz, primeiro volume da série Conjurador, Fletcher é um órfão de 15 anos e, para sua surpresa, conseguiu invocar um demônio do quinto nível. O problema é que apenas os nobres deveriam ser capazes de conjurar criaturas e usá-las na guerra contra os orcs. Mas plebeus como Fletcher também podem ser conjuradores, e o garoto consegue uma vaga na Academia Vocans, uma escola de magos que prepara seus alunos para os campos de batalha.

Lá, ele irá enfrentar o bullying dos nobres, mas também aprenderá feitiços e fará amigos incomuns, como anões e elfos. Além de se provar digno de uma boa patente na guerra, Fletcher e seu grupo de segregados precisam se unir e vencer o preconceito que sofrem na desigual sociedade de Hominum.


Quando se trata de fantasia YA a Galera Record tem o dom de escolher bons livros. São tantas séries ótimas que fica até difícil listar, mas somente por ter lançado O Trono de Vidro no Brasil a editora já conquistou meu respeito. E foi baseado em lançamentos passados que eu resolvi dar uma chance a mais uma série que se inicia, afinal vindo da Galera a chance de ser boa era grande. E foi bom! Não me conquistou como Trono de Vidro nem o personagem principal é tão bom quanto Celaena mas mesmo assim foi um bom começo para uma série.

Li em alguns blogs por ai que o livro é inspirado em Harry Potter e Pokemon. Não consegui checar se isso é verdade ou não, mas o fato é que o protagonista lembra muito nosso mago preferido de todos os tempos. Orfão, desprezado, humilhado, com uma vida sofrida e uma imagem muito ruim de si própria, mas aparentemente esconde um grande poder e pode ser a salvação de todos. Sei que ficou clichê mas a intenção não era essa, só percebi essa associação quando li a respeito e na hora achei o personagem muito bom. A influência de Pokemón viria dos demônios que são invocados pelos magos para os protegerem e para guerrearem.

Influenciado ou não, o autor criou uma história interessante, um universo bem desenvolvido e com grande potencial para ser explorado, personagens fortes, criaturas interessantes e amarrou tudo com uma escrita leve e agradável, porém sem a sensação de que tenta agradar jovens leitores, sua escrita é agradavelmente fluída e fácil de ler.

Apesar de utilizar um ambiente meio batido, com elfos, anões e orcs, o autor soube explorar a velha fórmula de fantasia e por enquanto as raças estão bem inseridas no contexto da história. Além disso, como era de se esperar, dois dos protagonistas são dessas raças e apesar de não trazer mudanças no estereótipo de elfos e anões, soube desenvolve-los bem, de forma a deixar agradável as passagens em que participam.

No livro acompanhamos a história pelos olhos de Fletcher, o aprendiz de ferreiro de um pequeno vilarejo chamado Pelego. A vila é bem afastada, próxima da fronteira élfica, porém é uma espécie de entreposto para os soldados que rumam em direção ao reino élfico. Sempre que chega uma nova caravana, há as famosas feiras onde bons lucros com armas podem ser alcançados e onde também há a possibilidade de realizar ótimas trocas com viajantes errantes que se aproveitam do movimento.

Um desses viajantes é um ex-soldado que monta uma banca com artigos exóticos, entre eles um livro que supostamente pertenceu a um conjurador atípico que morreu em batalha. O soldado mal sabe ler e faz pouca ideia do que contém no livro e Fletcher acaba por demonstrar grande interesse nas histórias que podem estar ali.

Apesar de não compra-lo, o livro cai nas mãos do garoto. Na primeira oportunidade que tem de ler, encontra um pergaminho estranho, escrito no que parece ser pele de algum ser vivo, e com uma linguagem ainda mais estranha e peculiar. Ao ler o pergaminho, Fletcher acaba conjurando um demônio, do tipo salamandra, quando nem mesmo sabia que possuía magia, afinal somente a nobreza deveria ser capaz de possuí-la e plebeus mágicos são extremamente raros.

O garoto porém, tem pouco tempo para refletir sobre isso. Quase no mesmo instante ele se envolve em uma briga que pode condená-lo facilmente a morte e se vê obrigado a fugir para a cidade de Corcillum. Lá o destino mais uma vez parece brincar com Fletcher, pois mal chega na cidade e mais uma vez se envolve em problemas, mas estes ao menos o levam de forma indireta para a famosa academia Vocans, responsável por treinar magos de batalha. Lá sua vida vai entrar em um redemoinho de descobertas. Decepções e sofrimento serão constantes, seu passado irá surgir para lhe assombrar e sua vida estará em perigo mais do que em uma ocasião e Fletcher nem sempre se sentirá capaz de seguir adiante, seja por não acreditar em seu talento, ou talvez por não conseguir enxergar uma saída aos problemas que lhe são impostos contra sua vontade.


Adorei a ideia do autor de criar magos conjuradores. É uma prática comum em games e animes mas pouco explorada em livros, deu um ar bem diferente a história além de fornecer dois protagonistas. Os personagens também são fortes e bem explorados, inclusive emocionalmente. O universo também é um diferencial. Taran soube reinventar antigos e conhecidos seres, criando uma história rica e com enorme potencial para as continuações que estão por vir.

Gostei de quase todo o livro, poucas coisas negativas para comentar, talvez apenas a arrogância exagerada dos nobres antagonistas, foi meio forçado, ele poderiam ter uma personalidade um pouco mais madura e ainda assim se mostrarem bons vilões. Apesar do livro ser ótimo de um modo geral, não gostei do final! O autor usou da tática de deixar o leitor ansioso para saber o que acontece, porém foi desnecessário. Até meio descabido pois, apesar dos jogos de poder envolvidos, os fatos dificilmente seriam como descritos. Porém nada que estrague a história, apenas minha opinião mesmo e tenho certeza que os próximos livros serão ótimos.


Trechinhos:

“Não queria danificar o pelame, a parte mais valiosa do alce. Pele de animais era um dos poucos recursos que a vila tinha a oferecer, e daí ela tirou o seu nome: Pelego”

“Fletcher olhou pela última vez o amigo, mentor e pai, uma silhueta a porta. Então ela se fechou e ele estava sozinho no mundo, apenas com a criatura adormecida ao redor do pescoço.”

“Sua ligação com Ignácio estava bloqueada. Fletcher alcançou e agarrou a mente do demônio e, com um esforço colossal, puxou-o para dentro. Por um momento, fez força, sibilando entre dentes cerrados. Era como se Ignácio estivesse preso a uma teia elástica. Depois do que pareceu uma eternidade, houve um estalo gentil e a consciência do demônio se fundiu com a do garoto. Era como se deixar submergir num banho morno.”

“A maioria dos magos de batalha parece ter esquecido um dos ditos mais importantes de um soldado: conheça seu inimigo.”

Taran Matharu
Conclusão:
Como falei lá no começo, a Galera Record tem o dom de escolher bons livros de fantasia. O Conjurador é só o primeiro livro de uma série, mas é um ótimo livro e um ótimo começo. Tem todos os ingredientes que nós, fãs de fantasia, de bons livros e boas histórias gostamos. Agora é esperar o segundo que já tem um lugar garantido na minha estante.

Autor: Taran Matharu
Livro: Conjurador: O Aprendiz (Summoner: The Novice)
Editora: Galera Record (Feiwel & Friends)
Ano: 2015
Páginas: 350 (368)

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