ADs

Resenha (86) - Herdeira do Fogo


Sinopse:
Perdida e quebrada, o único pensamento de Celaena Sardothien é vingar a morte selvagem de uma amiga: como 'Campeã' do Rei assassino de Adarlan, ela é obrigada a servir a este tirano, mas ele vai pagar pelo que fez. Qualquer esperança que Celaena tem de destruir o rei encontra-se em respostas a serem encontradas em Wendlyn. Sacrificar seu futuro, Chaol, o capitão da guarda do rei, enviou Celaena lá para protegê-la, mas seus demônios mais sombrios estavam no mesmo lugar. Se ela puder vencê-los, ela vai ser a maior ameaça de Adarlan - e seu próprio inimigo mais difícil. Enquanto Celaena descobre seu verdadeiro destino, e os olhos de Erilea estão em Wendlyn, uma força brutal e bestial se prepara para a levar para o céu. Será que Celaena encontrara a força não só para vencer suas próprias batalhas, mas para lutar uma guerra que poderia dar-lhe sua lealdade e a seu próprio povo lutando contra aqueles que ela tenha aprendido a amar? Celaena Sardorthien está prestes a se tornar Aelin Galanthynius. A assumir seu lugar na ordem das coisas desafiar o tirano rei, em seu trono de vidro. Mas o caminho para a redenção é pavimentado com sangue e dor...

Este é o terceiro livro da série Trono de Vidro e se quiser conhecer um pouco mais do início da série leia nossas resenhas aqui e aqui.

É visível a diferença de Trono de Vidro para os outros romances YA de fantasia que infestam o mercado editorial. A maioria são livros puramente comerciais, sem aprofundamento, sem o trabalho necessário para criação de personagens fortes e complexos e francamente, sem conseguir convencer e muito menos imergir o leitor na história como os livros de fantasia deveriam fazer. Mas Trono de Vidro é muito diferente do que temos por ai e é de longe uma das melhores séries do gênero.

Neste terceiro volume autora segue com o mesmo estilo envolvente de escrita e trabalhando forte na construção do perfil de seus protagonistas além de amarrar as pontas soltas da história com maestria. A magia, relegada a segundo plano nos dois primeiros livros, chega com força total em A Herdeira do Fogo. Começa a ser visível a importância que esse elemento terá na história.

Rowan e Celaena 
Fan Art.
Contada na forma de narrativa sob a perspectiva dos personagens principais, a história vai se desenrolar um pouco diferente dos dois primeiros livros que focavam mais em Celaena com Chaol e Dorian interagindo com ela. Nesse terceiro volume, tanto um como o outro ganham mais espaço e capítulos inteiros descrevendo suas andanças e passagens importantes da trama. Além disso, o primo de Celaena, Aedion, entra em cena e promete se tornar uma peça essencial principalmente no próximo livro.

A política do reino de Andarlan também é mais aprofundada após a viagem de Celaena para as terras de sua tia. A entrada de novos personagens contribui para a construção do cenário conforme novas histórias são contadas. Esses novos personagens são um dos pontos altos do livro pois, apesar de aparecerem em um momento já avançado da trama, são fortes e claramente importantes para a série, sendo sua inclusão um novo fôlego e a promessa de uma trama ainda mais forte nos livros que estão por vir.

Manon, Herdeira Bico Negro.
Fan Art.
O história é dividida em três linhas, sendo uma de Dorian, uma de Chaol e outra de Celaena. Aedion também contribui para a trama com passagens próprias mas ainda de forma tímida, como que se apresentando no universo de Andarlan. O príncipe Dorian ainda aparece pouco como foi no segundo livro, mas a sua importância está cada vez mais evidente e tudo indica que no quarto livro iremos conhecer o verdadeiro rei que habita no jovem rapaz.

Celaena está na terras de sua tia Maeve em um suposto trabalho para o rei (quem leu o segundo livro entenderá) mas, mais do que isso, está em busca de respostas. As perguntas da assassina podem ser respondidas por Maeve, mas essa não está disposta a cooperar e obriga Celaena a realizar um árduo treinamento com um parente distante, poderoso, belo e imortal, um féerico puro sangue e um príncipe. Seu nome é Rowan e ele irá se tornar um dos melhores personagens desse terceiro livro e no final passará a fazer parte da corte de Celaena, ou melhor dizendo, Aelin Ashryver Galathynius.

O treinamento é árduo e o príncipe no começo não respeita Aelin, tratando-a como um estorvo e uma garota mimada e mortal. Com enormes dificuldades em lidar com a dor e com o luto, a princesa e herdeira de Terrasen não consegue avançar no treinamento, uma vez que reconhecer sua herança é reconhecer quem ela é, e isso se mostra doloroso demais no momento, ainda mais depois da traição de Chaol e da morte da única amiga a princesa Nehemia.

Do outro lado do mundo, Chaol continua tentando proteger a todos que ama sem trair o seu reino. Porém, não poderá ficar em cima do muro por muito mais tempo e os acontecimentos vindouros o obrigará a escolher um lado, a enfrentar o futuro que mais temeu e a finalmente decidir quem ele mesmo é.

Aedion, Primo jurado de Aelin.
Fan Art.
Dorian está cada vez mais isolado no mundo e cada vez mais perdido com a sua recém descoberta magia. Seu poder cresce a cada dia o que só piora sua situação, até que conhece, ou melhor, reconhece Sorscha, uma jovem curandeira do palácio que foi uma das responsáveis por salvar o trio de amigos após a fatídica noite em que Celaena se revelou feérica para Chaol. A garota vai ajudar o príncipe no trato com a magia, porém o futuro dos dois terá m desfecho no mínimo chocante no final do livro.

Aedion é um dos novos personagens porém já chega como um dos protagonistas. Ele tem um laço de sangue com Celaena e é seu guardião, protetor e futuro rei desde o berço. Também é um dos líderes da resistência e finalmente irá descobrir que Aelin está viva. Essa descoberta irá mudar a vida de todos os envolvidos e o desfecho do príncipe Aedion fica em aberto no final do livro, mas tudo indica que seu papel na história está longe de acabar.

Outro destaque inserido agora na série é Manon, uma bruxa Bico Negro, herdeira do clã e extremamente poderosa. Aparece pouco mas podemos esperar muito dela pois se mostra um personagem tão forte quanto os demais, talvez quase tão forte quanto Celanea, mas ainda é cedo para afirmar qualquer coisa, apenas posso dizer que adorei a Manon até aqui.


O que mais gostei foram dos novos personagens. Rowan e Aedion são fortíssimos e fazem o melhor estilo bad-ass, nos colocando imediatamente em um estado de ansiedade pelo que está por vir e pelo potencial que os três príncipes têm em uma possível e praticamente inevitável guerra. Também gostei do desenvolvimento de Dorian. Apesar de ainda ser relegado a um segundo plano, no final mostra todo o poder interno que tem como pessoa e a expectativa pelo que vai acontecer com ele no quarto livro é enorme.
Finalmente iremos descobrir também como a magia sumiu, ou ao menos ter uma ideia. Essa informação me parece ser a base para o quarto livro da série.

Não gostei do que a autora fez com Chaol. Nesse livro ele deixa de ser uma rocha sólida, do tipo de homem que sempre sabe o que fazer para parecer um menino mimado e chorão. Apesar de ser importante na construção do personagem, não combinou muito bem com o capitão que conhecíamos. Também senti falta mais uma vez de um relato mais detalhado sobre o rei e sobre as chaves de Wyrd. Sei que faltam 3 livros ainda mas acho que está na hora de entendermos melhor a verdadeira base da história que é a supremacia de Ardalan e seu rei sobre todos os outros reinos usando a magia.


Trechinhos:

“A assassina bebeu da jarra de vinho -  ou tentou. Estava vazia, o que imaginou ser uma benção, porque, pelos deuses, como a cabeça girava. Precisava de água e de mais teggya. E talvez algo para o lábio cortado, que doía gloriosamente, e para a bochecha arranhada, que conseguira na noite anterior em uma das tabernas da cidade.”

“Não foi a mobília de carvalho entalhada, ou as cortinas verdes desbotadas, ou o calor da lareira que fizeram com que Celaena parasse subitamente. Foi a mulher de cabelos pretos sentada atrás da mesa. Maeve, rinha dos feéricos. Tia dela.”

“Manon não se incomodou em reparar nos detalhes das feições conforme a veia espessa na garganta do homem pulsava. As bruxas não precisavam de sangue para sobreviver, mas os humanos também não precisavam de vinho. As Sangue Azul eram exigentes em relação ao sangue que bebiam – virgens, rapazes, garotas bonitas -, mas as Bico Negro não se importavam muito.”

“Os homens pararam ao dar com Aedion de pé diante deles, ainda encapuzado. O general sacou as facas e murmurou: - Nenhum de vocês vai deixar este beco vivo.”

“Ela ergueu o rosto para as estrelas. Era Aelin Ashryver Galathynius, herdeira de duas linhagens poderosas, protetora de um povo um dia glorioso e rainha de Terrasen. Ela era Aelin Ashryver Galathynius -  e não teria medo.”

Sarah J. Maas
Conclusão:
Herdeira do Fogo é um típico livro do meio. Um pouco mais morno, mais cadenciado e elaborado com o intuito de instruir o leitor sobre o universo da saga, amadurecer os personagens e principalmente aparar algumas arestas soltas, além é claro de fornecer a base para as continuações. Mas tenho que admitir que Sarah J. Maas sabe como fazer um bom livro. Mesmo sendo um livro do meio ele não é enfadonho, não é cansativo e tem um final muito melhor e muito mais emocionante que alguns desfechos de trilogias por ai. Definitivamente, depois desse livro, A saga Trono de Vidro entrou para meu seleto Hall de Melhores séries já escritas.

Autora: Sarah J. Maas
Livro: Herdeira do Fogo (Heir of Fire)
Editora: Galera Record (Bloomsbury)
Ano: 2015
Páginas: 518
Compre aqui: Cultura, Amazon ou Kobo

Ler é Mais

Lorem ipsun