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Resenha (78) - Almanova


Sinopse:
ALMANOVA - Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhões de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu... e ninguém sabe por quê.
SEM-ALMA - A própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre...
HEART - Sam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto -- de Ana os deixarão viver essa paixão em paz?
Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

Silfides. Um dos monstros da série.
Comecei a ler o livro de forma bastante despretensiosa e até com certo desinteresse. Acho que estou um pouco saturado da mesmice que assola a literatura Infanto-Juvenil ou Jovens Adultos, com vários livros seguindo uma receita de sucesso onde o bolo é o mesmo e só muda a cobertura. Em alguns casos, nem a cobertura, muda somente a cor do confeito que vai de decoração. Pensava que Almanova ia ser alguma coisa parecida com o que vemos todos os dias e graças aos Deuses das letras, não foi bem isso que encontrei.

Sim! Há um romance meio adolescente e problemas de relacionamento, assim como há a eterna insegurança que toda personagem feminina hoje tem de ter para se tornar comercialmente viável, mas em doses bem menores e menos dramáticas do que muitos livros por ai. Na verdade, o enredo todo ficou muito agradável e as bobeiras da protagonista estão muito bem inseridas no contexto de sua vida, não são gratuitas e nem estão lá para causar identificação com o leitor, elas existem por um motivo real na história.

Dragões também estão presentes.
O mundo e o enredo criado são também muito interessantes. Ainda não entendi grande parte do que se passa, afinal é uma trilogia, mas nesse primeiro livro encontramos pontos suficientes para querermos mais e para manter o interesse, ainda mais sabendo que o último livro foi lançado a pouco, no mês de Março, ou seja, temos toda a história para curtir sem interrupções.

A história é narrada através dos olhos da protagonista, sem muitas inovações, apostando no clássico que funciona e isso agradou. Por motivos que somente lendo o livro você irá entender, a protagonista é algo muito diferente do que existe no universo criado pela autora Jodi Meadows, portanto ver as coisas com seus olhos é essencial para sermos inseridos na história.

Fan arte da protagonista Ana. 
No livro, acompanhamos a jovem Ana. Ela não é uma jovem comum, afinal é sua primeira vida em um universo onde todo mundo se conhece, e todo mundo já viveu milhares de anos. Isso porque todo mundo reencarna alguns anos após a morte e ainda se lembram de suas vidas anteriores, ou melhor, todo mundo reencarnava até que Ciana, por algum motivo inexplicável não voltou, sendo que no seu lugar apareceu a Ana.

Justamente por ter ‘tomado’ o lugar de outra suposta alma, Ana é odiada e tratada com desprezo por praticamente todas as pessoas que existem. Sua mãe, apesar de não querer a filha de forma alguma e fazer de tudo para deixar isso bem claro para todos, é obrigada a fugir da cidade de Heart e se refugir no interior, onde desconta toda a sua frustração pelo ocorrido na jovem criança que, ao contrário do que todo mundo está acostumado, não se lembra de nada e não sabe fazer nada automaticamente, obrigando sua mãe a lhe dar uma atenção que definitivamente não fazia a menor questão de prover.

A infância traumática deixa marcas profundas em Ana que aprende a nunca confiar em ninguém e tem uma noção distorcida do mundo devido as mentiras que sua mãe lhe contava o tempo todo. A coisa se agrava quando chega aos 18 anos e tem de retornar a Heart com o objetivo de aprender mais sobre quem é e porque existe.

O caminho e os primeiros dias na cidade não seriam possíveis se não fosse por Sam. Na verdade, graças a maldade de sua mãe ela estaria morta se não fosse por ele. Além de salvá-la da morte certa e de cuidar dela, o jovem rapaz (nessa vida, afinal ele já viveu uns 5 mil anos) ensina tudo o que ela precisa saber para começar seus estudos e lhe ajuda a ser aceita na cidade. Cabe agora a Ana descobrir a verdade sobre sua existência e talvez sobre a existência de todos eles, mas as coisas não serão somente livros e bibliotecas, sua vida corre perigo e seus estudos ameaçam pessoas poderosas dispostas a tudo, e aparentemente, até mesmo Deus e a própria criação.


Adorei a trama criada para a história. Sempre imaginei como seria se reencarnássemos e nos lembrássemos de todas as nossas vidas. O misticismo e o mistério da existência de todos também é interessante e parece ser a espinha dorsal da trilogia. Gostei dos personagens também, apesar de que parecem muito normais para quem viveu 5.000 anos.

Como comentei, achei os personagens, todos eles exceto a Ana, muito normais. Na minha cabeça, depois de viver por tanto tempo você não seria mais um ser humano comum fazendo coisas de seres humanos comuns. Mas, não temos como comparar então é puramente uma questão de opinião. Também senti falta de grandes tecnologias, afinal eles viveram 5 mil anos e não têm de recomeçar sempre que nascem de novo.


Trechinhos:
“Todos Viveram antes, tinham memórias para compartilhar, vidas para esperar. Dançavam ao redor das árvores e da fogueira, bebiam e gargalhavam até cair e, quando chagava a hora de cantar, agradecendo pela imortalidade, algumas poucas pessoas lançavam um olhar na minha direção, e a clareira ficava tão estranhamente quieta que dava para ouvir a queda d’água batendo nas rochas cinco quilômetros ao sul.”

“- O que é isso tudo? – perguntei ao passarmos por uma treliça de ferro com gavinhas de metal em forma de flores e folhas. A geada reluzia. – Quem está enterrado aqui? Sam inclinou a cabeça.
-Eu.
Não consegui interpretar seu tom de voz, mas eu ficaria triste se alguma dessas sepulturas fosse minha.”

“- Não olhe para mim. – Ele me deu uma cotovelada. – Olhe para Heart.
Lá em cima, Acima do muro, uma enorme torre se projetava na direção do céu, mais alta que uma centena de antigas sequoias empilhadas uma sobre a outra. Desaparecia em uma nuvem, e a rocha braça fazia o vapor parecer sujo, em comparação com o restante.”

“Tudo na parede norte e nas estantes próximas são os diários pessoais. Em todos os andares. Os diários profissionais são mantidos nas seções relacionadas aos seus estudos. Mais uma vez, ergui os olhos. Doze andares abarrotados com cerca de cinco mil anos de diários para um milhão de pessoas. Meu cérebro dois só de pensar nisso.”

“Você não pode fazer isso parar? – Minha garganta dois por causa do esforço para não chorar mais. Eu odiava isso, e quase o odiava, a não ser pelo fato de que eu o queria tanto quanto queria a música.”

“As Batidas do coração do templo continuaram. Constantes. Repercutindo. Apertei minha faca. Ela era inútil aqui, mas o cabo de pau rosa me transmitiu uma onde de conforto.”

Jodi Meadows
Conclusão:
Um grande começo para um trilogia. Descobrimos o motivo da existência de Ana logo no primeiro livro e isso é ótimo, mostra que a trama vai se desenvolver de forma bem mais complexa do que podia esperar lendo somente as primeiras páginas. Tudo indica que essa trilogia promete, ansioso para pegar logo o segundo volume em mãos.

Autora: Jodi Meadows
Livro:  Almanova (Incarnate)
Editora: Valentina (Katherine Tegen Books)
Ano: 2013 (2013)
Páginas: 288 (400)
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