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Mais e Mais DarkSide Books

Editora realiza evento e surpreende, mercado, concorrência, convidados e blogueiros. Publishnews comenta o sucesso da DarkSide.

Por Carlo Carrenho no Publishnews

Freddy Krueger e Jason Voorhees, sóbrios protagonistas de Sexta-feira 13 e de A hora do pesadelo, são as últimas criaturas que alguém esperaria encontrar no lançamento do novo catálogo de uma editora. Um sósia de Jesus também não é lá muito comum. E uma mestre de cerimônias com cabelo verde, vestido repleto de caveirinhas e uma bela tatuagem no braço de uma pilha de livros sob um crânio é no mínimo algo inusitado, para não dizer inédito, no mercado editorial. Mas foi com estes personagens do terror e da Bíblia, com um certo espírito sombrio e com a apresentação da jornalista Karina Andrade, da rádio Mix, que a DarkSide Books iluminou ontem (9) seus treze lançamentos do primeiro semestre deste ano na penumbra do café-teatro Casa de Francisca, em São Paulo. Na plateia, marcavam presença cerca de 50 pessoas entre livreiros, gráficos, autores e blogueiros, todos verdadeiros seguidores da casa editorial. Segundo o sócio Christiano Menezes, codinome Chuck – sim, todos os funcionários têm apelidos e assinam assim seus e-mails –, a ideia foi chamar os parceiros e apoiadores da DarkSide. “Queríamos dividir o processo de trabalho e onde estamos indo com quem nos apoia, e a DarkSide tem uma onda mais amiga mesmo”, declarou Chuck, que assina as caprichadas capas e projetos gráficos dos livros da casa.

Foi Chuck que lançou a DarkSide Books com Tio Chico – alcunha de Chico de Assis – no Dia das Bruxas de 2012. O primeiro lançamento, Os Goonies, de James Kahn, viria na mítica data de 12/12/12. Desde então, foram vinte lançamentos até o final de 2014. Enquanto Chuck cuida da produção dos livros, Tio Chico coordena a área comercial. A ideia de apostar em livros para fãs de terror e fantasia, com um padrão psicopata de qualidade, a maioria em capa dura, tem dado mais do que certo. A editora vendeu 120 mil exemplares do seu catálogo de 20 livros no ano passado. O maior sucesso do catálogo é Star Wars: a trilogia, de George Lucas e outros dois autores. “Embora nossa tiragem varie de 4 a 8 mil exemplares, somos ágeis na reimpressão. Star Wars, por exemplo, tem sido reimpresso na base de 10 mil exemplares a cada dois meses”, explica Tio Chico.


Os livros da escritora Ilana Casoy também fazem sucesso nas prateleiras. Depois de passar por editoras como Siciliano e Ediouro, a serial writer levou suas obras Louco ou Cruel? e Made in Brazil para a DarkSide, onde foram reagrupadas na coleção Arquivos Serial Killers e até lançados em um box. “A DarkSide joga luz onde é sombrio”, explicou Casoy no escurinho da Casa de Francisca. “Eu também faço isto e temos um casamento perfeito: eles entendem o que eu falo e vice-versa”, continuou. “Eu sempre busquei um sentimento de parceria e a DarkSide tem isto.” Atualmente a única autora brasileira no catálogo DarkSideano, Casoy vai ganhar companhia tupiniquim em breve. A editora anunciou que o editor de quadrinhos Alexandre Calari não resistiu ao lado negro editorial e lançará um livro pela DarkSide em breve.

O formato do evento foi bastante inovador. Para quase todos os livros apresentados, seja do catálogo ou lançamentos, havia um vídeo de um vlogueiro ou um book trailer apresentado em um telão. Quando o recurso visual não existia, o editor ou o autor comentavam a obra. Mas o mais interessante foi assistir os vídeos de vlogs que comentaram os livros em uma espécie de retrodivulgação: se os vlogs antes promoveram os livros, agora era a editora que promovia os vlogs. Entre um vídeo e outro, a hostess Karina Andrade recebia no palco livros das mãos de Jesus – codinome de Luiz Machanoscki, o vendedor da DarkSide –, e fazia singelos comentários como “Morri com esta porra de caralho de capa linda” ou “Quando vi este livro foi um momento mão na teta”, entre outros. Karina ainda arrancou risadas da plateia quando soube que a DarkSide iria dar um vestido de noiva para promover o livro A noiva fantasma, de Yangsze Choo, que conta a história de uma garota que decide se casar com um morto. A jornalista olhou para o namorado na plateia e disparou: “Com um vestido desses, eu abro mão de casar de verde”.

Em outro momento, Karina indagou se havia algum livreiro com alguma boa história da DarkSide no local. Foi quando Mario Sergio da Silva, da Saraiva de Higienópolis, São Paulo, pediu a palavra e contou: “Eu gostei tanto da biografia do Stephen King de vocês, que decidi tatuar a assinatura dele”, contou o livreiro enquanto mostrava o antebraço.

Em um momento quase negro do mercado editorial, com vendas praticamente no mesmo nível ao longo da última década, é bem-vinda a chegada de editoras independentes, criativas e comercialmente viáveis como a DarkSide. Teoricamente, a empresa tinha tudo para dar errado. Afinal, publicar livros em capa dura, mais caros, de fundo de catálogo e para um nicho limitado poderia parecer a receita para se afundar nas trevas financeiras. Mas a DarkSide encontrou a luz. Talvez porque seja uma editora de fã para fã. Talvez porque souberam focar em um nicho sem distrações. Talvez porque sejam psicopatas em busca da qualidade gráfica e editorial. Talvez porque tenham um gerente operacional de codinome Caveirinha e um vendedor chamado Jesus (o contrário não funcionaria). É difícil saber, pois o próprio sucesso da DarkSide tem seu lado misterioso. Mas o fato é que criaram uma “porra de caralho” de editora que traz muito momentos “mão na teta” para seus leitores.


Você pode não gostar do estilo de livros eleito como carro chefe da editora, nem do estilo meio sinistro e misterioso de seu marketing, que na verdade é o estilo da editora como um todo, até as pessoas que trabalham, porém não tem como negar a qualidade das obras e o carinho e cuidado com que a editora vem tratando seus fãs. A Darkside pode ser uma jovem editora começando a fazer sucesso, mas vem ensinando casas centenárias que não se pode ter medo de mudar e inovar, não importa qual o mercado de atuação em que esteja. Além disso, a lição mais importante que se pode tirar dessa fantástica e sinistra casa editorial é que sempre vai existir público para coisas bem feitas.

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