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Resenha (70) - A Vida Como Ela Era


Sinopse:
Quando Miranda começa a escrever um diário, sua vida é como a de qualquer adolescente de 16 anos: família, amigos, garotos e escola. Suas principais preocupações são os trabalhos extras que os professores passaram tudo por causa de um meteoro que está a caminho da Lua.
Ela não entende a importância do acontecimento; afinal, os cientistas afirmam que a colisão será pequena. Mas, mesmo assim, acredita que esse será um evento interessante a se observar, com binóculo, do quintal de casa.
Para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e isso altera de modo catastrófico o clima do planeta. Terremotos assolam os continentes, tsunamis arrasam os litorais e vulcões entram em erupção. Em 24 horas, milhões de pessoas estão mortas e, com a Lua fora de órbita, muitas outras mortes são previstas. Os supermercados ficam sem comida, e Miranda e sua família precisam, então, lutar pela sobrevivência em um mundo devastado, onde até a água se torna artigo de luxo.

Miranda Segundo Fãs
Desde que fiquei sabendo do lançamento deste livro e tomei conhecimento da sinopse defini que teria um exemplar. Sou um grande fã de ficção-cientifica e qualquer livro que fale sobre um cenário catastrófico e caótico onde a terra e a civilização humana praticamente deixem de existir me fascina. E A Vida Como Ela Era não decepcionou minhas expectativas!

A trama começa com Miranda, uma adolesncete de 16 anos, moradora do estado da Pensilvânia, Estados Unidos e seu diário, que é onde acompanhamos seu dia a dia e suas preocupações típicas da idade e da Primavera americana. Porém muito em breve tudo o que parecia normal vai mudar e iremos acompanhar, através dos olhos de Miranda, o dia a dia da sua familia e do mundo todo enquanto lutam para sobreviver em um mundo que regrediu centenas de anos.

A Lua é também protagonista do livro.
A capa reproduzida ai em cima não faz jus ao livro físico. A arte de capa é linda e a Lua retratada é feita com um material poroso e é linda! Sem contar que aparentemente todos os livros seguirão a mesma linha, mantendo o foco na Lua, que é tão protagonista quanto Miranda. Apesar de não ter uma divisão incisiva, o livro é divido em quatro partes, que são as estações do ano, Primavera, Verão, Outono e Inverno. A divisão acontece pois cada estação responde a Lua de uma forma especifica, mas para entender isso vamos falar um pouco sobre a história.

Após o impacto,a  lua se aproxima da Terra.
Começamos acompanhando Miranda alguns dias antes de um evento importante acontecer. Um asteroide vai atingir a Lua e todos querem assistir ao grande evento, afinal todos os maiores astrólogos do mundo garantiram não haver risco e que a queda no máximo vai deixar nosso satélite com mais um buraco. Eles estavam enganados, muito enganados.

Uma mudança na rota lunar vai causar um verdadeiro caos na terra. Logo após os primeiros meses da catastrofe a situação começa a ficar desesperadora. Conforme vamos acompanhando a protagonista em seu diário, vemos como cada personagem vai encarar a nova realidade de suas vidas. Também vemos de forma muito sensível e verdadeira, como uma adolescente de 16 anos consegue encarar uma situação tão absurda como o suposto fim do mundo, assim como sua mãe e seus irmãos.

O autor desenvolveu muito bem todos os envolvidos na história, mesmo sendo todos eles retratados pela pessoa da protagonista. A história é forte e não há dramas forçados, conseguimos imaginar os personagens realmente vivendo assim caso uma situação dessas acontecesse de verdade e isso é um dos pontos altos do livro.

Este não é um livro baseado no sensacionalismo ou em passagens fortes cheias de ação. Este é um livro que trata principalmente do ser humano e de como somos capazes de nos adaptar e, principalmente, de como somos capazes de tudo para sobreviver.


A história não é original, mas adorei como a autora resolveu contá-la. Ao usar o diário da protagonista como base para a história, ganhamos muito na riqueza de sentimentos e emoções de todos os personagens. Adorei isso e é claro, apesar de termo várias obras parecidas na sua idéia, esse jamais será um tema batido e a concepção, usando a Lua, foi uma novidade não só agradável mas que também fornece respaldo cientifico à história.

Não gostei por sabermos muito pouco do mundo exterior. Na maior parte do tempo vamos acompanhar a familia de Miranda lutando para sobreviver e isso foi legal, mas faltou inserir mais informações sobre o resto do mundo pois a idéia da catastrofe é interessante e ficamos curiosos para saber mais.


Trechinhos:
“Por um momento, pensei em todas as pessoas ao longo da história que viram o cometa Halley e que não sabiam o que ele era, apenas estava lá, causando medo e sendo incrível. Durante um milésimo de segundo, eu poderia ter sido uma garota de 16 anos na Idade Média, ou asteca, ou apache, olhando para o céu e admirando seus mistérios. Durante aquele minúsculo instante, eu fui todas as garotas de 16 anos da história, sem saaber o que os céus previam para meu futuro.”

“Papai disse que a quantidade que acharmos suficiente de madeira nunca será demais e que precisaremos de ainda mais. Também falou que o melhor que ele pode fazer enquanto estiver por aqui é cortar lenha. Avisou que não podemos guardá-la do lado de fora e nem mesmo ao lado da casa.
- Tudo terá desaparecido até outubro – disse ele. – Nada está seguro.”

“Sei que ele me considera uma pessoa de sorte por não ter sido “afetada” por tudo o que aconteceu. E sei que é mesquinho pensar de outro modo. Mas imagino se o horror de saber que alguém que você ama morreu é pior que o desgaste diário de estar vivo.”

“Para a grande pesagem, tirei os sapatos e o casaco. De acordo com a balança, eu e minha roupas pesamos  43 kg.
Não acho que estou tão ruim assim. Ninguém morre de fome pesando 43 kg.”

Susan Beth Pfeffer
Conclusão:
Muito se falou desse livro antes de seu lançamento e ele faz jus a todos os elogios. É um sci-fi poderoso e recheado de todos os elementos que tornam este gênero fantástico e agradável. Sem apelar para uma distopia comum, algo que vende e está na moda, Susan Beth escreveu um livro que resgata o prazer em imaginar como seria se nossas vidas, por algum motivo, mudasse abruptamente. Um livro excelente que já me convenceu a comprar toda a série. Recomendo aos fãs do gênero.

Autor: Susan Beth Pfeffer
Livro: A Vida Como Ela Era (Life As We Knew It)
Editora: Bertrand Brasil (Harcourt Children's Books)
Ano: 2014 (2006)
Páginas:  378

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