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Romances Históricos Reimaginam Passado Brasileiro

Diversos lançamentos recentes redesenham cenário história do país, porém especialistas e autores recomendam cautela com os romances.

Publicado em Diário de Pernambuco



Nas civilizações antigas, literatura e história eram uma coisa só. Não havia diferença entre mitos, versões oficiais dos fatos, ficções. Apenas narrativas. Com o avançar dos séculos e a divisão entre ciência e arte, as duas maneiras de abordar a realidade (e a imaginação) tomaram caminhos distintos, mas nunca deixaram de conviver e se influenciar mutuamente. Ainda hoje, história é história, seja ela uma fábula ou o retrato de uma época. Frutos da longa relação de intimidade, os romances históricos marcaram a produção literária mundial. Híbrido por natureza, o gênero usa o vasto conhecimento a respeito de algum período passado como ponto de partida para a fantasia. Por isso (ou apesar disso) contribuem para o povo conhecer e refletir sobre a própria história.

A safra mais recente de obras situadas no Brasil cobre desde os primeiros anos do período colonial até o regime militar. Na última década, episódios emblemáticos serviram de inspiração para escritores, como as invasões holandesas ao país, a Inconfidência Mineira e a Revolução Pernambucana. Sobre o último, o jornalista Paulo Santos de Oliveira publicou A noiva da Revolução (Centro Vivo Recife, R$ 38), relançado neste mês após três edições esgotadas e 7 mil exemplares vendidos. Com pouca fantasia e larga pesquisa histórica, o livro narra o amor proibido de um casal em meio aos atos revolucionários de 1817, no Recife. O autor acredita ter influenciado diretamente na escolha do Dia da Bandeira do estado, em 2007, e da Data Magna de Pernambuco, em 2009. Outros títulos com olhar regional são Olinda abrasada, de Waldênio Porto, Feliciana, de Melchiades Montenegro e Invasão a Pernambuco, de Aydano Roriz.



Fazer o casamento entre ficção e história é, contudo, um passo arriscado. Raramente se passa pelo crivo de quem atua na área. Para o historiador e mestre em literatura Rafael Monteiro, o livro de Paulo Santos está mais para exceção. “Pela bibliografia e pelo rigor do texto, dá para perceber o compromisso com os fatos, algo desprezado por muitos. Quando há apenas dados aleatórios sobre um período, sem representação da realidade, a obra pode ser um desserviço. Para evitar isso, é preciso deixar clara a predominância da ficção”. Embora sublinhe a falta de comprometimento do romance histórico com a ciência, Monteiro é entusiasta do gênero. “Por preconceito, leio poucos livros do tipo, mas são muito válidos. A população conhece pouco de história”.

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