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Resenha (38) - Travessia

Travessia


Antes de começar a leitura desta resenha, sugerimos que já tenha lido o primeiro volume da trilogia (Destino). Se não conhece a história, clique aqui e leia a resenha de Destino, primeiro volume e evite spoilers.
Sinopse:
Em busca de um futuro que pode não existir e tendo que decidir com quem compartilhá-lo, a jornada de Cassia às Províncias Exteriores em busca de Ky – levado pela Sociedade para uma morte certa –, mas descobre que ele escapou, deixando uma série de pistas pelo caminho. A busca de Cassia a leva a questionar o que é mais importante para ela, mesmo quando vislumbra um diferente tipo de vida além das fronteiras. Mas, à medida que Cassia tem certeza sobre o seu futuro com Ky, um convite para uma rebelião, uma inesperada traição e uma visita surpresa de Xander – que pode ter a chave para revolta e, ainda, para o coração de Cassia – mudam o jogo mais uma vez. Nada é como o esperado em relação à Sociedade, onde ilusão e traição fazem um caminho ainda mais confuso.
Antes de qualquer coisa, cuidado com spoilers. Por se tratar de uma trilogia não há como resenhar o livro sem citar fatos que já aconteceram no primeiro volume. Se ainda não leu Destino, clique aqui e veja a resenha do blog.
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Segundo volume da trilogia distopia escrita por Ally Condie, travessia vai narrar a continuação da história escrita em destino, logo após a prisão de Ky. Com a mesma escrita repleta de poesias  e severas criticas ao modelo de governo já empregado e ainda atual em muitos lugares do mundo, a autora segue a história de Cássia, Ky e Xander (esse quase não aparece) rumo ao que parece ser uma rebelião contra o regime da sociedade.
Após a prisão de Ky ele é enviado as fronteiras da sociedade para supostamente lutar contra o eterno inimigo da sociedade. Com um pequeno grupo de amigos recém-formados Ky irá descobrir muitas verdades novas sobre a já odiada sociedade e será obrigado a lutar somente por sua sobrevivência.
Do outro lado, Cássia decide ir atrás de seu amor em uma busca quase suicida. Forjando sua própria prisão, ela é enviada para os mesmos campos de falsa luta onde o extermínio é um fato certo onde Ky se encontrava. Infelizmente para ela, ele havia fugido dias antes e se refugiado nos Cânios (Sim, aqueles do colorado) em busca de uma antiga comunidade que ainda resistia aos avanços da sociedade. Sem desistir, Cássia segue em frente lutando por sua ida, por seu amor e acima de tudo por seus ideais, enquanto caminha lentamente para os braços da Insurreição, e consequentemente da revolução.
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O que mais gostei nesse livro foi à continuação do contexto político e social na história. A autor explora muito bem o universo que criou e é muito coerente ao elaborar as opiniões dos personagens com relação ao tema. Além isso o romance, apesar da busca desenfreada, está longe de ser daqueles melosos, o que dá mais senso de realidade ao livro.
O ponto negativo para mim foi a ausência de Xander. Sempre achei ele  personagem mais forte da história mas no segundo livro ele é deixado totalmente de lado e mal é citado após o comecinho do livro. Não faço parte de nenhum team Xander, mesmo porque com quem a Cássia fica para mim já foi decidido assim que a cara de Ky aparece na tela, mas acho que Xander é muito mais do que parece, ou ao menos poderia ser.
Não dá para se estender muito sem acabar contando partes do livro e não quero estragar a alegria de ninguém. Só posso dizer que, se gostou do primeiro livro com certeza vai gostar do segundo pois, apesar de mudar a forma de escrever – agora a história é contada do ponto de vista de Ky e Cássia – o livro segue a mesma pegada e prende o leitor até o final.



Trechinhos:

“Porque no fim nem sempre dá para escolher com que coisas podemos ficar. Só podemos escolher como as deixamos ir embora.”
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“Xander sorri, e na expressão dele eu vejo surpresa e esperteza e alegria, tudo misturado. Eu surpreendi Xander – e a mim mesma. Eu o amo de um jeito que talvez seja muito mais complicado do que eu pensava.”
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“- Você está amolecendo – Vick diz, por fim, - E isso pode te matar. Pode fazer com que você nunca mais veja essa menina.
- Se eu não cuidar dele – alego -, eu seia alguém que ela não reconheceria, mesmo que me visse de novo.”
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“O sol se pôs e fez tudo ficar dourado: ponte, edifícios, pessoas, inclusive a mim. Eu mal podia acreditar que o lugar fosse real, embora tivesse ouvido falar nele por anos a fio. Mais tarde, quando os agricultores de lá me ensinaram a escrever, tive aquela mesma sensação. Como se o sol estivesse sempre brilhando às minhas costas.”
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“Olhando para Ky e Eli e Hunter, penso em quantos machucados invisíveis são possíveis. Feridas saturadas no nosso coração, no nosso cérebro, nos nossos ossos. Como é possível que ainda ficamos e pé?, eu me pergunto. O que será que nos mantém vivos?”
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“... Mas o amor faz você olhar, olhar e olhar de novo. Você repara nas costas das mãos, no jeito de virar a cabeça, na maneira de andar. Quando você ama pela primeira vez, fica cega e vê apenas o glorioso e amado todo, ou a bela soma de todas as partes bonitas.”

Conclusão:
Concordo com a crítica. Essa trilogia é tão boa quanto jogos vorazes e tão bem escrita quanto. Ainda falta falar sobre o terceiro e último livro mas por enquanto mais do que indico essa fantástica história de um mundo não tão distante como o quanto gostamos de imaginar.



Autor: Ally Condie
Livro: Travessia (Crossed).
Editora: Suma de Letras (Dutton Juvenile)
http://www.objetiva.com.br/suma.php
Páginas: 273


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