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As Barbas do Imperador

Premiada biografia de D. Pedro II ganha versão com ilustrações de Spacca.

Publicado em: Correio Braziliense

 
A imagem que se tem de Dom Pedro II é a de um homem envelhecido. Morto antes dos 70 anos de idade, os retratos do último imperador do Brasil mostram fartas barbas brancas e um olhar frio. Isso é fruto da construção da personalidade do monarca, destinado a subir ao trono ainda cedo. A historiadora Lilia Moritz Schwarcz, no livro As barbas do imperador, vencedor do Prêmio Jabuti de 1999, mostra como foi fabricado o governante e explica um pouco do país à época e a dissimulação da monarquia em retratar a imagem da nação e de seu mais longínquo mandatário. Uma adaptação para os quadrinhos, com ilustrações do renomado Spacca e textos da própria Lilia, chega agora ao mercado.

A colaboração entre escritora e ilustrador - que, juntos, desenvolveram o best-seller D. João carioca - vai desde o nascimento de Pedro de Alcântara, passa pela partida de D. Pedro I rumo a Portugal, pelo rito de coroação como D. Pedro II aos 7 anos de idade, pela Guerra do Paraguai e culmina na morte do derradeiro imperador do país. Por meio de desenhos inspirados em pinturas do francês Jean-Baptiste Debret e de outros artistas que retrataram o Brasil à época, e textos adequados à linguagem em quadros, Spacca e Lilia mostram como os símbolos foram utilizados por D. Pedro II para manter o poder. Afinal, como diz a própria Lilia, os quadrinhos “são um bom meio para explicar os fatos de maneira caricatural”.


Nessa representação, fica claro como o conceito de “monarca moderno” está atrelado ao uso da fotografia. Enquanto outros reis e imperadores usavam a pintura a óleo no retrato deles mesmos, D. Pedro II foi um entusiasta de primeira viagem dos daguerreótipos, construindo o que Lilia Moritz Schwarcz define como um “circuito fechado”. “O próprio D. Pedro II era fotógrafo. Os profissionais que vinham de fora eram financiados e patrocinados pelo Estado, portanto as fotografias que retratam o Brasil da época são uma construção da monarquia”, explica. “É por isso que, em um país em que 75% da população era escrava, os retratos eram de uma nação feliz, na qual os escravos eram passivos, o que é mentira”, completa.

A importância do relato, considerado um marco na historiografia brasileira por encarar de forma original a mística da monarquia do país, então, se dá em “lembrar o passado para entender o presente”, segundo a própria autora. O racismo velado, aquele não falado, mas presente no cotidiano, bastante presente em um país tão celebrado pela diversidade, é bastante influenciado pela figura de D. Pedro II, personalidade ainda hoje popular entre os brasileiros.


“Até muito pouco tempo atrás, persistia no Brasil a ideia de se querer um governante diferente do cidadão comum, como era o caso do último imperador, loiro, alto, de olhos azuis e de família europeia”, diz Lilia. “A situação mudou, até com a figura do Lula no poder. Entretanto, se olharmos os dados de mercado de trabalho, homicídios, renda, entre outros, veremos que o Brasil ainda é, sim, um país que discrimina negros e indígenas”, contrapõe. 

Gostou? De uma lida no trecho (clique aqui)disponibilizado pela Editora, vale a pena principalmente pela abertura, a lenda indígena sobre D. Pedro II.


Sinopse:
Misto de ensaio interpretativo e biografia de d. Pedro II, As barbas do imperador, de Lilia Moritz Schwarcz, foi um marco na historiografia brasileira, apresentando uma visão nova e reveladora de nosso passado. O livro materializava o mito monárquico ao descrever, por exemplo, a construção dos palácios, a mistura de ritos franceses com costumes brasileiros, a maneira como a boa sociedade praticava a arte de bem civilizar-se, a criação de medalhas, emblemas, dísticos e brasões, a participação do monarca e o uso de sua imagem em festas populares. Promovendo um diálogo fértil entre sua argumentação e a riquíssima iconografia da época, a autora mostrava de que maneira a monarquia brasileira se tornou um mito não apenas vigoroso, mas extremamente singular.
Nesta edição em quadrinhos de As barbas do imperador, Schwarcz volta à parceria com o premiado ilustrador Spacca, na dobradinha que já rendeu o best-seller D. João Carioca. Agora, Spacca conduz o leitor a um verdadeiro passeio pelos temas do livro, transpondo a linguagem do ensaio e da biografia ao universo das HQs de forma vibrante e esclarecedora. Dezenas de personagens da nossa história circulam pelos desenhos de Spacca, que recriou com fidelidade toda uma época, convertendo documentos, retratos, pinturas e obras arquitetônicas numa narrativa de tirar o fôlego. Ao fim, uma seção de extras amplia a discussão do livro, com textos sobre a Guerra do Paraguai, a escravidão e a fotografia no império, além de uma galeria de personagens do livro e uma alentada cronologia.


Ilustrações: Spacca
Capa: Spacca
Páginas: 144
Formato: 21.00 x 27.80 cm
Peso: 0.52800 kg
Lançamento: 27/01/2014
Selo: Quadrinhos na Cia

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