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Lançamento - O Carvalho Falante

Carvalho, belo carvalho, não me expulse. Se eu descer, os lobos que correm na noite irão me comer.
– Saia, Emmi, saia! – retrucou a voz, ainda mais suave.

– Belo carvalho falante – Emmi retrucou também, num tom de súplica –, não me mande para os lobos. Você me salvou dos porcos, foi bonzinho comigo, continue assim. Sou um pobre menino infeliz, não posso nem quero lhe causar mal algum. Acolha-me esta noite: se quiser, irei embora pela manhã.

A voz não retrucou mais, e a lua prateou brandamente as folhas. Emmi concluiu que lhe fora permitido ficar, ou, então, que sonhara as palavras que pensava ter ouvido. Adormeceu – e, coisa estranha, não sonhou mais e dormiu a sono solto até o amanhecer.”
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Escrito no século XIX, O carvalho falante conta as aventuras de um guardador de porcos que, para fugir de uma vida de rejeição e sofrimento, passa a viver no oco de uma árvore encantada.



George Sand
É o pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, escritora francesa, autora de romances, contos, peças teatrais, escritos autobiográficos, textos ensaísticos sobre temas políticos e de crítica literária.
Mulher de forte personalidade, chocou seus contemporâneos de várias maneiras, mas foi também muito imitada: pioneira em adotar um pseudônimo masculino para publicar seus escritos, ficou conhecida por usar roupas de homem, a pretexto de que com elas podia frequentar lugares não permitidos às mulheres, como algumas bibliotecas exclusivas e julgamentos públicos. Argumentava também que essas roupas eram mais baratas, numa época em que passava por dificuldades financeiras. Casada em 1821 com o barão François Casimir Dudevant, com quem teve dois filhos, deixou-o em 1831. Teve diversos relacionamentos amorosos, sendo seu longo romance com o compositor Frédéric Chopin o mais conhecido.

Embora muito difamada, manteve-se no centro da vida intelectual de sua época, sendo muito próxima de artistas e escritores como Balzac, Delacroix e Victor Hugo. Engajou-se em diversas causas sociais e políticas – o que transparece em sua obra, na qual cutuca as convenções sociais, denuncia e defende temas como a condição das mulheres e a situação dos pobres e dos operários. Tinha especial apreço pela vida campestre, que muitas vezes é cenário de suas narrativas.

George Sand costumava contar à noite, para suas netas Aurore e Gabrielle, histórias que criava com o intuito de entretê-las, mas também instruí-las. A maioria, infelizmente, se perdeu, restando apenas doze desses Contos de uma avó, escritos entre 1872 e 1875, inicialmente publicados em diversas revistas na forma de folhetins e mais tarde reunidos em livro.

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