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Artigo - Ler Livros é Fundamental.

Ler Livros é Fundamental

A primeira coisa da qual me lembro ter comprado para mim mesmo, sem contar doces é claro, não foi um brinquedo. Foi um livro!

Era um livro de figuras e com conteúdo religioso sobre o trabalho a partir da bíblia e foi comprado no Kmart.

Era uma das raras ocasiões em que minha mãe tinha dinheiro para dar a mim e meus irmão alguns dólares para que gastássemos com o qualquer coisa que quiséssemos comprar.

Todos fomos direto para os corredores de brinquedos mas no caminho passamos por uma sessão de cartões e livros. We all made a beeline for the toy aisle, but that path led through the section of greeting cards and books. Enquanto passaca pela sessão de livros infantis eles atrairam minha atenção e parei. Livros para mim eram coisas especiais. Mágicas. Idéias eternizadas.

Livros eram coisas que meus irmãos traziam da escola antes de eu ter idade suficiente para frequentá-la. Aquelas coisas que os deiavam absortos até tarde da noite enquanto faziam seu dever de casa. Eram aquelas coisas que minha mãe trazia quando voltava de suas aulas noturnas, que ela frequentava após o trabalho para tirar seu diploma e certificado para dar aulas.

Livros, para mim, eram poderosos e transformadores.

Então estava eu lá, na grande sessão de cartões da loja, me perdi entre os livros infantis até achar aquele que eu queria, aquele sobre trabalho. Achei o livro fascinante, em parte por que era um conto sobre dificuldades, algo com o qual podia comparar facilmente e em parte porque continha o primeiro densenho de Deus que eu já tinha visto alguma vez, que naquelas páginas era um homem branco com uma barba branca e longa e uma longa roupa que parecia uma das camisolas da minha mãe.

Eu peguei o livro e segurei junto ao peito enquanto caminhava orgulhoso até o caixa. Não cheguei a passar perto do corredor de brinquedos.

Este era o começo de uma jornada para a vida toda onde os livros iriam me moldar e mudar, me transformando em quem eu sou.

Nós não podíamos comprar muitos livros portanto tinhamos uma pequena coleção. Eles foram mantidos em uma estante caseira tosca com cerca de três metros de altura e com três prateleiras. Uma prateleira tinha a enciclopédia, um presente de nosso tio  que forneceu para os meus irmãos e para mim a chance de ver o mundo sem sair de casa.

As outras prateleiras continham uma mistura de livros, a maioria dos quais eram brindes que minha mãe pegava quando os bibliotecários escolares se desfaziam de suas coleções no final do ano. Eu lia o que tínhamos e sonhava com o dia que a nossa classe na escola foi autorizada a ir à biblioteca - um espaço do qual me aproximei da mesma forma que a maioria das pessoas se aproximam de edifícios religiosos - e os dias em que o bookmobile(onibus circulante de livros) veio à nossa escola a partir da biblioteca regional.

Não é exagero dizer que aqueles livros me salvaram de uma vida de pobreza, estresse, depressão e isolamento.

James Baldwin, um dos autores que mais falou ao meu espírito, uma vez colocou desta forma:

"Você acha que sua dor e seu coração partido não têm precedentes na história do mundo, mas então você lê. Foram os livros que me ensinaram que as coisas que mais me atormentavam foram as mesmas coisas que me conectavam com todas as pessoas que estavam vivas e que já haviam sido vivas."

Esse é o poder inigualável da literatura, para dar contexto e significado para as provações e os triunfos da vida. É por isso que é particularmente preocupante o que a The Atlantic’s Jordan Weissmann destacou terça-feira:

"O Pew Research Center informou na semana passada que quase um quarto dos adultos americanos não tinha lido um único livro no ano passado. Entenda por isso que eles não estavam com um livro de bolso, não usavam kindle, ou mesmo ouviram um audiobook enquanto presos no trânsito. O número de não-leitores quase triplicou desde 1978."

Os detalhes do relatório Pew são bastante interessantes e um pouco contra-intuitivo. Entre os adultos norte-americanos, as mulheres tinham mais probabilidade de ter lido pelo menos um livro nos últimos 12 meses do que os homens. Os negros eram mais propensos a ter lido um livro do que brancos ou hispânicos. Pessoas com idades entre 18-29 eram mais propensos a ter lido um livro do que em qualquer outra faixa etária. E houve pouca diferença no número de leitores entre a população urbana, suburbana e rural.

Eu entendo que agora estamos inundados com informações e os hábitos de leitura das pessoas tornaram-se fragmentados por algum grau de influência das mensagens de texto e redes sociais, e que isso toma a maior parte do tempo que poderia ser dedicado a alguma forma de leitura . Eu entendo. E eu não tenho uma visão troglodita sobre as mídias sociais. Na verdade tanto participo como me divirto com isso.

Mas a leitura de textos não é o mesmo que ler um texto.

Não há equivalente intelectual ao de deixar o tempo e espaço para se perder na mente de outra pessoa, porque ao fazê-lo podemos e iremos nos encontrar.

Tire isso de mim, o menino caminhando para o caixa do Kmart com o livro de imagens pressionado contra o peito.












Charles M. Blow
Veja o original, clique aqui.

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