ADs

Lançamentos de Abril da Rocco


O Jogo de Sade - Miquel Esteve
Quando a vida profissional e o casamento do empresário Javier estão prestes a desmoronar, ele se envolve em uma estranha aventura que mistura sedução, pornografia, mistério e morte. Em O jogo de Sade, Miquel Esteve prende os leitores em uma trama carregada de erotismo, que remete ao espírito libertino do Marquês de Sade, escritor e aristocrata francês cujo nome deu origem ao termo sadismo – o prazer na dor física ou na humilhação infligida ao parceiro ou parceira durante o ato sexual.
Preso a um casamento infeliz e vendo o império financeiro que construiu ruir, Javier busca um jeito de fugir de seus problemas, ainda que temporariamente. Após pedir uma dica de um ambiente diferente ao garçom de seu bar favorito, ele recebe um cartão enigmático, no qual o nome “Donatien” aparece acompanhado de um número de telefone celular. No verso, uma senha, em francês: “Les infortunes de la vertu”, que pode ser traduzida como “Os infortúnios da virtude”.
Uma vez no Donatien, Javier percebe que assistirá a um espetáculo baseado em um trecho do livro Justine ou os infortúnios da virtude, do Marquês de Sade. Completamente envolvido pela atmosfera carregada de violência e erotismo, ele faz sexo com uma das mulheres presentes. A partir daí, o empresário é incluído em um jogo perigoso, que envolve atração sexual, chantagem, traição e o assassinato de Magda, além de acender a lembrança de momentos e pessoas que ficaram no passado.
Quem se esconde por trás da figura do Marquês de Sade e controla a situação? Por que Javier foi escolhido para participar? Será possível livrar-se da rede de perversão que dita as regras do jogo? Deixe-se levar pelas emoções que fazem parte do universo criado por Miquel Esteve e veja se é capaz de resistir ao roteiro de O jogo de Sade.

Sete Anos Bons - Etgar Keret
A combinação de humor e compaixão – marca da literatura de Etgar Keret – volta a encantar e surpreender em Sete anos bons. Considerado o principal autor israelense de sua geração, Keret registrou sua rotina durante sete anos, em crônicas e contos que vão do nascimento do filho até a morte do pai. Com momentos de estranha realidade e outros de puro nonsense, mas sem jamais perder de vista a ternura, o resultado é um retrato original e sensível da vida israelense contemporânea.
Na tradição do Velho Testamento, os sete anos de abundância no Egito foram seguidos de sete anos de fome. Os bons tempos de Keret começam na maternidade enquanto aguarda o nascimento do filho. Só que são “bons tempos” que não fogem à normalidade. O parto teve de esperar até que os médicos atendessem uma emergência: feridos de um ataque terrorista.
Os 36 textos curtos do livro levam o leitor a conhecer o modo de vida de Israel às voltas com guerras e conflitos políticos, e como, mesmo assim, os habitantes conseguem respirar mantendo uma sociedade moderna e globalizada. O que importa para Keret, no entanto, é revelar como as dificuldades podem ser enfrentadas através da sátira e do humor negro.
A história pessoal do escritor parece conter a história de todo o país: os pais sobreviventes do Holocausto na Segunda Guerra; a irmã mais velha que abraçou a religião ortodoxa e teve 11 filhos, cada um deles com um nome duplo composto por hífen, como é do costume hassídico; o irmão pacifista a favor da legalização da maconha.
É difícil, até para o filho pequeno de Keret, fugir ao destino que a sociedade obriga. A crônica “Exército de fraldas” mostra que conversar na escola com outros pais de meninos de três anos inclui uma pergunta obrigatória: “Lev irá para o Exército quando crescer?”
Mas quem se revela por inteiro nas páginas do livro é o próprio escritor. Acompanhar o dia a dia de Keret é descobrir de onde ele tira a inspiração para suas histórias, que alguns críticos comparam às de Kafka. Sete anos bons é uma coletânea de histórias que se lê com um sorriso no rosto, mas que calam fundo, pois sabemos que seus protagonistas jogam com a vida.

Um Ano - Juan Emar
Na obra do chileno Juan Emar – expoente da literatura de vanguarda na América Latina que a Rocco apresenta pela primeira vez ao leitor brasileiro na coleção Otra Língua – o tempo é único: todos os dias parecem ser os primeiros dias do mundo. Assim é que, para o escritor, só resta começar de novo a jornada, desprezando os conceitos de realidade e identidade.
Um ano é o diário do que promete o título: notas sobre um ano transcorrido na vida do narrador. São 12 entradas, feitas no primeiro dia de cada mês. Os episódios ou relatos – independentes entre si – vão se tornando mais estranhos à medida que a leitura avança. Apesar de obscuros, estão escritos em uma prosa simples e funcional.
O absurdo e uma imaginação desenfreada dominam os textos: com o indicador da mão esquerda equilibrando um disco, é possível uma interação tão perfeita que o narrador consiga cantar como Caruso; traças literárias exigentes perfuram o papel “à procura da primeira letra da primeira palavra da primeira linha do primeiro canto de ‘Les chants de Maldoror’, de Lautréamont”; quando sai à rua para vagar sem destino, o escritor sente “o dedo de Deus” cravando-se levemente na nuca dele; um telefone gruda-se de tal maneira à orelha que não há outro jeito para separar um e outra senão a operação.

A Porta dos Três Trincos - Michelle Strzoda
Eles existem em todos os colégios: a garota mais inteligente da classe; o valentão que coleciona namoradas; a linda menina, alvo do amor platônico de algum colega; e o garoto tímido, deslocado – este é Niko, de 14 anos. Solitário como tantos outros, ele seguiria sua história sem sobressaltos se um evento inesperado não cruzasse seu caminho e o levasse para uma incrível jornada além das noções de tempo e espaço. Niko é o protagonista do surpreendente romance da doutora e pesquisadora em projetos de física quântica Sonia Fernández-Vidal, A porta dos três trincos, no qual fantasia e ciência se entrelaçam a serviço de uma narrativa que promete conquistar leitores de todas as idades.
Traduzido para mais de dez idiomas e publicado no Brasil pelo selo Rocco Jovens Leitores, A porta dos três trincos lança mão da ficção para ensinar conceitos básicos de física quântica, que explica desde elementos e fenômenos invisíveis aos olhos, passando pela relatividade do tempo e do espaço teorizada por Albert Einstein, até a criação do universo pelo Big Bang. Num dia como outro qualquer, o avoado Niko nota uma mensagem misteriosa refletida no teto de seu quarto — intrigante e perturbadora a ponto de fazê-lo mudar seu percurso habitual para a escola.
Assim, o jovem acaba descobrindo um velho casarão de três andares, cuja porta de entrada era mais nova do que toda a edificação. De ótima madeira, ela contrastava com a decrepitude da casa, além de trazer três trincos bem firmes. A questão é: por que guardar tão bem uma casa velha e, aparentemente, abandonada? Ao apertar o botão vermelho do interfone, que parecia ter surgido à esquerda da porta, ele mal podia imaginar as surpresas e lições que o esperavam dentro do casarão: um verdadeiro universo de descobertas.
Ao lado de novos e estranhos amigos – um elfo diminuto, Eldwen, e uma enorme fada, Quiona –, ele aprende que há mais coisas entre prótons e elétrons do que supõe nossa vã filosofia. Em meio a explicações sobre fótons, aceleradores de partículas, Bóson de Higgs, buracos negros e o princípio de incerteza de Heisenberg, entre outros conceitos que aprende e experiencia, Niko é instigado a decifrar enigmas que, na realidade, são testes para descobrir se é ele o humano escolhido para restaurar o equilíbrio entre o mundo em que nós vivemos e o mundo quântico, infinito, incrivelmente expandido no espaço limitado do casarão da porta de três trincos.
Sonia Fernández-Vidal transpõe a ciência para situações cotidianas e explica de maneira leve e clara toda a complexa riqueza da física quântica que nos permite não apenas conhecer melhor o universo como a nós mesmos, também partículas de um todo de grandeza incalculável. Com uma linguagem simples e divertida, a autora convida o leitor, jovem ou adulto, a pensar, questionar e aprender.

Arrasadoras - Fal Azevedo
A primavera chegou a Rosewood, mas nem tudo são flores para Aria Montgomery, Hanna Marin, Spencer Hastings e Emily Fields. Em Arrasadoras, décimo terceiro volume da série Pretty Little Liars, as adolescentes estão decididas a descobrir a identidade de A e lutar contra a pessoa misteriosa que as persegue. O problema é que A, além de parecer antecipar os movimentos das jovens, pode estar mais perto do que elas imaginam.
O livro começa com Sara Shepard revelando um dos segredos do quarteto. Durante a viagem que Aria, Noel, Mike e Hanna fizeram para a Islândia, Aria conhece um rapaz chamado Olaf e acaba se envolvendo no furto do quadro A Noite Estrelada, de Van Gogh. Arrependida e prestes a ser apanhada pela polícia, ela pede socorro a Hanna e consegue escapar com a ajuda da amiga, deixando Olaf para trás e voltando aos Estados Unidos no dia seguinte.
Um ano se passa e a confusão na Islândia é apenas uma sombra na memória de Aria. Depois de fazerem um cruzeiro ecológico pelo Caribe, onde as quatro mentirosas também aprontaram das suas, os veteranos do colégio Rosewood Day se preparam para o tão sonhado baile de formatura. Hanna é escolhida para concorrer ao título de Rainha do Baile e Aria, que perdeu o prazo para se candidatar a presidente do comitê de decoração da festa, fica chocada com o tema escolhido: o quadro A Noite Estrelada, de Van Gogh.
Paralelamente, um outro fantasma do passado ronda Aria, Hanna, Emily e Spencer. A agente especial Jasmine Fuji, encarregada das investigações do assassinato de Tabitha Clark – mais um problema em que o quarteto de Rosewood está envolvido – quer conversar com todos que estiveram hospedados no hotel The Cliffs, na Jamaica, quando o crime aconteceu. Apavoradas, as meninas descobrem que A também sabe sobre isso e pode entregá-las a qualquer momento.
Cansadas de serem chantageadas por A, as Pretty Little Liars resolvem agir. Hanna vai trabalhar em uma clínica especializada em tratamento de queimaduras, onde uma vítima de A está internada; Emily se dedica a investigar o passado de Ali; e Spencer faz contato com um garoto que diz ter informações sobre Ali. Conforme as investigações avançam, Aria fica em dúvida se pode confiar em Noel. Conseguirão as meninas descobrir quem se esconde por trás do pseudônimo A? Será dessa vez que as mentiras acumuladas serão reveladas, botando tudo a perder? Acompanhe a trama de Sara Shepard e mergulhe no suspense de Arrasadoras.

Brasileirismos - Roberto Damatta
Apesar de ser o cientista social brasileiro mais citado em teses, estudos e ensaios acadêmicos, Roberto DaMatta não se deixou aprisionar pela vida universitária, efetuando em paralelo um movimento de difusão do conhecimento junto ao grande público leigo por meio de sua atividade como cronista. Brasileirismos – além do jornalismo, aquém da antropologia e quase ficção, seu novo livro, é precisamente uma seleção das crônicas que publica em jornais de circulação nacional, como O Globo e O Estado de S. Paulo.
O subtítulo corresponde às três divisões do livro (“Além do jornalismo”, “Aquém da antropologia” e “Quase ficção”), sendo bastante exato e descritivo, já que DaMatta não é, nem poderia ser, um cronista comum. Mesmo porque ele tem em sua bagagem a sólida formação e o instrumental da antropologia. Mas, por outro lado, quando escreve para a imprensa, ele não usa o jargão da antropologia nem emprega um tom professoral. Faz justo o contrário: busca ser acessível ao leitor comum, sem jamais reivindicar para si a última palavra ou o vaticínio irrefutável. Assim, as crônicas de Brasileirismos não são didáticas nem doutrinárias. Longe disto, dialogam com o leitor de igual para igual e deixam inclusive espaço para o humor e a imaginação, que resvala para a “quase ficção” mencionada no tripé estilístico anunciado no subtítulo.
Brasileirismos reúne 130 crônicas escritas nos últimos cinco anos e em nenhuma delas existe qualquer ranço acadêmico ou professoral, pois DaMatta basca a comunicação efetiva e total com o leitor, chegando a evocar episódios da própria infância e juventude, ou dos primeiros anos como antropólogo em aldeias indígenas como um simples escritor memorialista. Contudo, tais evocações não são meramente nostálgicas nem autólatras e sim ditadas pelo anseio de acessibilidade e de identificação com o leitor. Característica que faz de Brasileirismos um livro singular, que tanto pode ser lido como uma obra de cronista quanto pode servir para nos ajudar a compreender “o que faz do Brasil, Brasil”, para retomar um dos conhecidos títulos de DaMatta.

Desperdiçando Rima - Karina Buhr
Música, poesia, cartas, recados, bilhetes, crônicas e desenhos. É dessa mistura que nasce Desperdiçando Rima, livro de estreia de Karina Buhr, lançamento do Fábrica231, o selo de entretenimento da Editora Rocco. No prefácio, a autora deixa claro que não há um assunto específico que ligue os textos: “Não existe isso de tema. Tema é qualquer coisa que respirar ou que a gente suspirar quando vê.” O livro traz textos inéditos, material adaptado das colunas que a autora escreve para a Revista da Cultura e a letra da música “Falta de sorte”, que faz parte do disco Vou voltar andando, da banda Comadre Fulozinha.
Karina tem uma carreira consolidada na música. Além de inúmeras participações ao lado de artistas consagrados, os discos autorais Eu Menti Pra Você e Longe de Onde foram escolhidos entre os top 10 da revista Rolling Stone, músicas e disco completos, nos anos de lançamento. Com eles Karina fez duas turnês internacionais, tocando em festivais como o Roskilde, na Dinamarca, e no consagrado Palau de la Musica, em Barcelona. Com o primeiro disco Karina ganhou ainda o prêmio APCA de artista revelação 2010.
Amor, guerra, a rua, o tempo, olhares para dentro e para fora. Em Desperdiçando rima tudo se mistura em prosa e verso para oferecer aos leitores, nas palavras de Karina, “sortimentos variados, cheiros azedos, gostinho doce e mais ou menos”, nascidos nas mais diversas ocasiões. É possível identificar sentimentos como alegria, saudade, raiva, amor e mágoa, bem como uma visão crítica em relação ao mundo em que vivemos. Entre um texto e outro, desenhos, nos quais a figura feminina se destaca.
Diferentemente do que o título sugere, Desperdiçando rima faz bom uso das palavras, deixando a critério de quem lê escolher a ordem de saborear uma apetitosa “sopinha de letras”, como define a autora. “Falo com a parede enquanto escrevo isso, mas deve estar fazendo algum sentido no momento em que lê. Espero”, diz ela, que assume não gostar de prefácios ao escrever o de seu livro. Quem mergulha na obra de Karina certamente vai perceber que ela foi bem-sucedida: sua narrativa não apenas faz sentido, como toca a alma dos leitores.

Timmy Fiasco - Errar é Humano - Stephan Pastis
Timmy Fiasco acredita que é o melhor detetive de sua cidade. Junto de seu inseparável amigo Total, o urso polar, Timmy funda a Fiasco Total, uma empresa de investigações baseada no closet de sua mãe! Timmy Fiasco – Errar é humano é o primeiro livro para jovens do premiado cartunista Stephan Pastis, bestseller do The New York Times. Com uma imaginação fértil e uma lógica peculiar, o pequeno Timmy vai conquistar os leitores com suas hilárias desventuras ao tentar resolver alguns casos de seus colegas de escola e seguir sua caminhada rumo ao sucesso.
O pequeno Timmy tem certeza de que é apenas uma questão de tempo até ser reconhecido como um dos maiores detetives da atualidade... Cheio de casos dos seus colegas de escola para resolver, Timmy ruma ao estrelato. Mas algumas pedras estão no seu caminho: seu parceiro é um preguiçoso urso polar e sua concorrente nos negócios é a filha do banqueiro mais rico da cidade; Rollo Tookus, seu melhor amigo, não acredita nas suas teorias e é um zero a esquerda em matéria de espionagem; sem falar que seu único suspeito em todos os casos, Molly Moskins, cheira a tangerina e tem uma queda pelo detetive em questão.
Muito mais para Calvin e Haroldo do que Sherlock Holmes e John Watson, Pastis apresenta a seus leitores uma incrível dupla de detetives: Timmy e Total. Repleta de muita ironia (e até mesmo suspense), o autor cria uma obra hilária com muita ação e reviravoltas.
A autoconfiança de Timmy faz o leitor acreditar que o menino é realmente capaz de atingir o sucesso, até que o garoto continua seu raciocínio e cava (na maioria das vezes) seu próprio buraco. Mas a inocência e imaginação do pequeno detetive conquistarão os corações dos mais empedernidos leitores.

Alif - O Invisível - G. Willow Wilson

Autora de graphic novels aclamadas e criadora da primeira heroína muçulmana dos quadrinhos, pela Marvel Comics, além do livro de memórias A leitora do Alcorão, a norte-americana convertida ao islamismo G. Willow Wilson dá vida a um jovem hacker vivendo num estado de exceção no Oriente Médio em seu premiado romance de estreia, Alif, o invisível. Primeiro lançamento de 2015 do selo Fantástica Rocco, o livro conquistou o World Fantasy Award e rendeu à autora comparações com escritores como Philip Pullman, Neil Gaiman e J.K. Rowling. Na trama, teologia islâmica, vigilância eletrônica e os acontecimentos da Primavera Árabe se mesclam para tecer uma rica narrativa, na qual o cotidiano colide com o fantástico e o mundo físico com o digital.

Na Dobra do Dia - Marcelo Moutinho
Uma janela na Praça Tiradentes, as reminiscências trazidas pelo casario do subúrbio, o anônimo que maneja uma pipa invisível, todos os dias, na esquina da Rua Mem de Sá. O Rio de Janeiro é cenário primordial para Na dobra do dia, primeiro livro de crônicas de Marcelo Moutinho, autor cuja delicadeza e zelo com a palavra desenham um estilo próprio, já evidente em três elogiados volumes de contos.
Ao adotar o universo carioca como ponto de partida para sua lente de cronista, retoma um traço um tanto esquecido nos relatos atuais do gênero. Fazendo jus à tradição de João do Rio e Paulo Mendes Campos, Machado de Assis e Rubem Braga, Moutinho persegue as miudezas, as marcas ao rés do chão, a matéria ordinária dos dias — não apenas banal, mas traiçoeira. Cria relatos de lirismo ligeiro e de assombro, mas também registros atentos de costumes e personagens, fissuras na ordem do mundo, ironias ocultas no vaivém de encontros e desencontros, diapasões do cotidiano.
Não à toa, Na dobra do dia é dividido em duas partes — “Pequenos amores da armadilha terrestre” e “As ruas pensam”, frases retiradas de Paulo Mendes Campos e João do Rio, respectivamente. Quando não são as pulsações das ruas, é o espaço doméstico, com suas ciladas, que invade os textos. Os mistérios da casa vazia, o amor desmantelado, a nostalgia no chiado de um long-play. Ecos da memória — a algaravia dos carnavais da infância, a traição na escolha do time de futebol. Às vezes, as crônicas trazem também notícias de alhures. Como a chuva que cai sobre o México, invisível e desconcertante, pondo “um enfeite qualquer na tristeza”. Ou as semelhanças entre quem foi menino durante a ditadura militar, no Brasil e em outros países da América Latina.
Como no texto que dá título ao livro, Moutinho investe no espaço fugidio, na “hora imprecisa”, no instante em que “a cidade é borda”. Traço inequívoco de sua literatura, a melancolia dá o tom dos relatos. Mas também um humor fino e surpreendente, forjado na descontração dos bares e na perspicácia dos sambas antigos, a nos lembrar que chope de verdade é com colarinho e que, sim, há botequins que encerram um universo inteiro. São páginas onde a leveza é só disfarce, a revelar: é nas cenas inusitadas, fiapos quase invisíveis na trama da cidade, que pulsa a matéria densa da literatura.

Sem Coleira - Rupert Fawcett
Já pensou como seria se os cachorros falassem? Pois o cartunista Rupert Fawcett não apenas imaginou como deu voz a eles. Em Sem coleira – A vida secreta dos cães, ele reúne em uma série de histórias em quadrinhos flagrantes que divertem tanto os apaixonados por animais de estimação como os que não os possuem, mas se identificam com suas características. O título chega às livrarias pelo Bicicleta Amarela, o novo selo de bem-estar da Editora Rocco.
Cada história de Sem coleira reflete o carinho de Rupert Fawcett pelos cães. Não importa o tamanho, a cor ou a raça: os pensamentos caninos são apresentados de forma bem-humorada em atitudes corriqueiras como marcar território, sair para um passeio, brincar, fazer travessuras, pedir carinho ou simplesmente ficar parado dentro de casa.
O autor ainda mostra como os cachorros se relacionam nas mais diversas situações, muitas semelhantes às vividas por seres humanos. É possível saber a reação deles durante o namoro, o que discutem na terapia de casais, como os filhotes se comportam na escola e até o que conversam em reuniões secretas e grupos especiais. A interação com os donos também não foi esquecida. É praticamente impossível não sorrir diante de quadrinhos como os que revelam o que se passa na cabeça dos cães na hora de comer e suas táticas para chamar a atenção.
Mas nem sempre o animal considerado o melhor amigo do homem é tão dócil e cordato quanto aquela carinha irresistível e o rabo abanando querem fazer acreditar. Ao longo das páginas, Fawcett surpreende os leitores com frases sarcásticas e atitudes maquiavélicas, como as estratégias para conquistar espaço em cima da cama ou do sofá. No fim das contas, entretanto, não importa o que essas simpáticas bolas de pelo façam ou por onde andem em suas vidas secretas. Elas sempre voltam para seus donos, porque o laço que os une é de amor incondicional.

Detox de 10 Dias - Jj Smith
Um selo dedicado ao bem-estar, em suas múltiplas facetas – saúde, espiritualidade, ecologia, relacionamentos afetivos e sexo, família, alimentação, pets e viagens. Essa é a proposta do Bicicleta Amarela, novo selo da Editora Rocco, que chega ao mercado com o lançamento Detox de 10 dias: como os sucos verdes limpam o seu organismo e emagrecem, de JJ Smith, best-seller do The New York Times.
Nutricionista especializada em programas de perda de peso, JJ Smith propõe uma dieta à base de sucos capaz de acionar o processo de emagrecimento, aumentar o nível de energia e melhorar a disposição física e psicológica em Detox de 10 dias. Criadora do Detox-Eat-Move (DEM), sistema que visa a desintoxicação, purificação e reprogramação do paladar, JJ Smith afirma que o sucesso de uma dieta depende de uma  mudança radical do estilo de vida de cada um, que deve começar com uma limpeza do organismo.
Com o programa proposto em Detox de 10 dias,  é possível  perder peso e, principalmente, estabilizá-lo, sem riscos de futuras variações na balança. No livro, JJ Smith mostra que, quanto maior o nível de toxinas armazenadas nas células de gordura do corpo, maior a dificuldade de eliminá-las apenas com dieta. E defende a ingestão dos sucos verdes para, além do combate ao excesso de peso, garantir benefícios como o emagrecimento, aumento dos níveis de energia, maior clareza mental, melhora no sono e digestão, menos inchaço e vontade de comer determinados alimentos.
JJ Smith criou o sistema após uma intoxicação por mercúrio, em função de obturações dentárias, que a deixou de cama por dois meses. A própria autora eliminou cinco quilos quando fez seu primeiro detox. Capaz de agradar ao mais exigente dos paladares, o livro traz mais de 100 receitas que ajudam a pôr em prática um estilo de vida mais saudável. Afinal, segundo a autora, ao utilizar os supernutrientes das folhas verde-escuras, os sucos verdes satisfazem as necessidades nutricionais de uma forma equilibrada e saborosa. A publicação traz ainda depoimentos e histórias de sucesso, além de dicas para continuar o emagrecimento após a limpeza de 10 dias.

Eu, S.A - Gene Simmons
O lucro sempre foi música para os ouvidos de Gene Simmons. Cérebro e língua à frente do Kiss, esse israelense crescido nos EUA e transformado  em um legítimo self made man – figura mitológica do capitalismo norte-americano – pode ser responsabilizado pelos cem milhões de discos vendidos pelo maquiado grupo que fundou no começo dos anos 1970, ao lado de Paul Stanley, e que ainda hoje encontra-se ativo e barulhento.
Simmons, 1,88m, sempre subiu nas botas de cano altíssimo para garantir que o hard rock do seu grupo tocasse em sintonia com o barulho das máquinas registradoras. Camisetas, bolsas, bonés, bonecos, histórias em quadrinhos, jogos, filmes... o Kiss fez dinheiro em tudo em que colocou a sua inconfundível marca. Individualista assumido, Simmons foi além. E não por acaso, seu livro tem o título Eu, S.A.
Sem muitas papas no referido órgão muscular alongado, esse mestre do marketing pessoal disseca seu próprio lema – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios – em uma divertida e incorretíssima série de dicas, que chama de “13 princípios para o sucesso, para se chegar no topo. No topo de uma montanha de dinheiro”.
“Parceiro” de 4.600 mulheres (contas do próprio músico), dono de uma linha de baixo com seu nome, estrela de reality shows, astro de cinema bissexto e personagem de videogames, Simmons dá conselhos extremos aos seus seguidores sobre amigos, namoradas e até férias (“Não tire”, ordena, usando o comando de voz do seu iPhone, Siri, com o qual fez boa parte do livro). No percurso, revê, de forma dura, mas sincera, boa parte da história (de negócios) do rock e do show business americano. E ressalta, no final, sem perder o tom: “Isso se chama negócios, não amizade.”

Ler é Mais

Lorem ipsun