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Resenha (74) - Coroa da Meia-Noite - Trono de Vidro


Sinopse:
Celaena Sardothien, a melhor assassina de Adarlan, tornou-se a assassina real depois de vencer a competição do rei e se livrar da escravidão das Minas de Sal de Endovier. Mas sua lealdade nunca esteve com a coroa. Tudo o que deseja é ser livre — e fazer justiça. Nos arredores do castelo, surgem rumores a respeito de uma conspiração contra misteriosos planos do rei, mas antes de cuidar dos traidores, Celaena quer descobrir exatamente que planos são esses. O que ela não imaginava é que acabaria em meio a uma perigosa trama de segredos e traições tecida ao redor da coroa. Enquanto a amizade entre ela e o capitão Westfall cresce cada vez mais, o príncipe Dorian se afasta, imerso em seus próprios dilemas e descobertas.
A princesa Nehemia acaba se tornando uma conselheira e confidente, mas sua atenção está mais voltada para outros assuntos. Em Adarlan, um segredo parece se esconder por trás de cada porta trancada, e Celaena está determinada a desvendar todos eles para proteger aqueles que aprendeu a amar. Mas o tempo é curto, e as ameaças ao redor castelo de vidro estão cada vez mais próximas. Quando menos se espera, uma trágica noite mudará a vida de todos no reino, e mais do que nunca Celaena quer descobrir a verdade para fazer justiça.

Créditos: Walkingnorth.devianart.com
Eu adoro trilogias e séries, mas elas têm um problema. Na maioria das vezes, o segundo livro, ou os volumes intermediários, são um amontoado de porcarias sem conteúdo ou contexto nenhum que fazem com que você queira desistir de continuar acompanhando a história. É um fato! Os autores mesmo reconhecem, pois geralmente o livro é grande demais deixando de ser comercial somente como um volume, porém pequeno demais para criar uma trilogia. E aí vem o editor e convence o autor a falar um monte de coisas que não dizem nada, somente para conseguir um livro a mais e consequentemente vender mais. Isso é bem visível quando estamos lendo e nem preciso listar exemplos aqui, pois leitores assíduos provavelmente irão concordar comigo.

Apesar dessa cisma que tenho com ‘os volume 2’, Coroa da Meia-Noite foi algo especial. Fugindo a regra do ‘vamos enrolar o leitor para ele comprar um livro que não precisa’, Sarah J. Maas escreveu o que eu afirmo ser a melhor sequência em uma trilogia que eu tinha lido até então. Não que Trono de Vidro seja minha história favorita, pois não é, mas a sequência foi tudo o que eu sempre espero de um segundo livro. Impressionante, com um ritmo que mantem a cadencia do primeiro, revelando detalhes importantes da série e ainda com um final sensacional! O ritmo é tão bom que, talvez por isso, a autora resolveu desistir de lançar somente três livros e expandiu para toda uma série que deve conter seis volumes.

Aprendemos muito mais sobre Celaena e seu passado, suas origens, sobre a noite em que tudo mudou e sobre a pessoa que ela é por trás da fachada de assassina. A primeira metade do livro traz uma personagem mais humana, menos mística e muito mais mulher, o que ao menos para mim fez toda a diferencia na construção do personagem. Chaol, o integro e leal capitão da guarda mal consegue esconder seus sentimentos por Celaena, ainda mais agora que o príncipe está praticamente fora da jogada. O amadurecimento de Chaol também é uma grata surpresa e este é elevado a um status de segundo protagonista, relegando o príncipe a um papel de coadjuvante no livro.
 
Dorian, porém, não perde a importância e é visível que no terceiro livro terá um papel fundamental para a trama. Devido a alguns acontecimentos nesse segundo volume, seu personagem também se torna muito mais interessante do que era antes, passando de príncipe mimado que conquista o que quer e teme o papai, à um quase rebelde de seu próprio reino, politizado e com cara de futuro governante.

Aelin Galathynius por Meg Phail
O livro continua mais ou menos no mesmo ponto em que termina o primeiro. Logo após vencer o torneio e se sagrar campeã do Rei, Celaena embarca em missões para investigar possíveis rebeldes infiltrados na nobreza de Adarlan, ou melhor dizendo, para elminá-los.

Como era de se esperar Celaena vive em conflito por estar a trabalho do Rei que odeia e que lhe roubou tudo que conhecia, além de ter sérias dúvidas se as pessoas para as quais é enviada para matar sequer são mesmo rebeldes. Incapaz de dar cabo da função que conquistou a duras penas, a assassina forja a maioria dos assassinatos, tentando viver um dia de cada vez enquanto espera ser esperta o suficiente para enganar o Rei.

Chaol está cada vez mis apaixonado e cada vez mais incapaz de esconder seus sentimentos, não somente de Celaena, como também de Dorian, do Rei e de toda a corte. Dividir as funções de Capitão da Guarda e maior em comando nas defesas do castelo, com a responsabilidade de vigiar Celaena ao mesmo tempo em que cuida dela quase se tornam demais para o capitão.

Dorian está cada vez mais distante do pai, se é que isso era possível, e começa a questionar tudo aquilo que sempre acreditou e assumiu como verdade. Alguns acontecimentos irão fazê-lo repensar em sua vida e no reino que está fadado a herdar e isso pode ser tão perigoso para ele como é para o próprio Reino de Adarlan.

A dança com o capitão, por Leabharlann
A Princesa Nehemia, única amiga de Celaena na corte, se afasta desta, apesar de manter os bons laços de amizade. A princesa parece conhecer muito mais obre a assassina do que ela mesma e isso acaba criando um clima de tensão entre as duas. Enquanto tenta convencer Celaena a assumir um lado e lutar por sua causa, Nehemia tem de lidar com o Rei, os rebeldes em sua terra natal e coisa que não deveriam mais existir, mas que parecem bem vivas no mundo do qual a princesa faz parte.

Quando tudo parece estar dando certo entre todos eles uma catástrofe vai mudar o rumo da história. A verdadeira assassina dentro de Celaena vai aparecer e o resultado disso é imprevisível, tanto no livro 2 para quem estiver lendo como para o livro três que ainda nem foi lançado. Com um final surpreendente, a história abre vários caminhos para todos os personagens e, seus destinos parecem depender somente de suas escolhas, apesar de não importa para onde olhem, a esperança de dias melhores continua a escapar de seus corações.


O que mais gostei do livro foi a manutenção do perfil dos personagens e a mesma pegada eletrizante da história. Após um período de dramatização, necessário para a trama e para os personagens, embarcamos mais uma vez em uma sessão de ação, violência e sangue para todo o lado! O final me surpreendeu e também adorei! Olhando agora parecia óbvio e pode parecer assim para alguns, mas mesmo sendo fácil de deduzir continua sendo muito bom.

Não gostei do papel relegado ao Dorian nesse livro. Parece ser importante para um momento futuro mas acho que ele podia ter aparecido mais. E há uma morte no livro onde odiei o personagem perdido. Entendo o papel que tem para a trama, mas mesmo assim havia me afeiçoado muito a ele e talvez a autora poderia ter encontrado outro gancho para os acontecimentos se desenrolarem. Outra coisa que não gosto em nenhum dos dois livros é o fato do maior vilão da história, o Rei, continuar sendo meramente citado. Não sabemos nada sobre ele nem temos como fazer uma ideia de que papel terá na história. Nesse segundo livro alguns de seus planos são revelados, mas ainda é muito pouco.


Trechinhos:

“E quanto a mulher dele? – indagou o rei, virando o anel nos dedos diversas vezes. – acorrentada ao que sobrou do marido no fundo do mar – respondeu Celaena, com um sorriso malicioso, e retirou a mão magra e pálida da bolsa. Essa continha um anel de casamento dourado, com a data do matrimônio gravada. Ela a ofereceu ao rei, mas ele sacudiu a cabeça. A assassina não ousou olhar para Dorian ou Chaol ao devolver a mão para a bolsa de lona espessa. ”

“Mas a magia não funciona mais. – Magia nova não funciona. Mas o rei não pode apagar antigos feitiços, feitos com poderes ainda mais antigos... como as marcas de Wyrd. Aqueles feitiços antigos se mantêm até hoje; principalmente os que dão vida. – Você... está vivo? A aldraba deu um risinho. – Vivo? Sou feito de bronze. Não respiro, não como ou bebo. Então não, não estou vivo. Também não estou morto, se faz diferença. Eu simplesmente existo.”

“Kaltain enroscou a capa de Celaena ao redor do corpo. – Algo está vindo – sussurrou ela. – E eu devo receber essa coisa. Celaena exalou o ar que não percebeu estar segurando. Aquela conversa era inútil. – Adeus, Kaltain. A garota apenas gargalhou baixinho, e aquele som seguiu Celaena muito depois de deixar as masmorras gélidas para trás..”

“Os homens no salão gritavam, alguns fugiam para a segurança das pilastras e para a saída enquanto outros corriam até Celaena, as armas em punho. E Chaol pôde apenas observar horrorizado e maravilhado quando ela sacou duas espadas – uma delas pertencia a ele – e liberou a ira sobre os homens. Eles não tinham a menor chance..”

Sarah J. Maas
Conclusão:

Já elogiei demais o livro para uma única resenha e meio que fiquei sem saber o que escrever aqui. Acho que sobra ressaltar que este é apenas o segundo volume de uma série de seis e, como já aconteceu antes, pode ser que a autora nos decepcione no decorrer da história. Mas não importa como vai se desenrolar nos próximos volumes, Trono de Vidro e Coroa da Meia-Noite garantiram a minha leitura para toda a continuação.

Autor: Sarah J. Maas
Livro: Coroa da Meia-Noite (Crown of Midnight)
Editora: Galera Record (Bloomsbury)
Ano: 2014 ()
Páginas: 464

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