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Resenha (65) - Chá de Sumiço

Chá de Sumiço

Sinopse:
Helen Walsh não vive um bom momento. O trabalho como detetive particular não vai bem, o apartamento foi tomado por falta de pagamento e um ex- namorado surge com uma proposta de trabalho: encontrar o desaparecido músico da Laddz, a boy band do momento. Precisando do dinheiro, ela se vê forçada a aceitar, o que causa uma confusão em sua cabeça ao conviver com o ex e precisar acalmar o atual namorado. Ao tentar seguir suas próprias regras, Helen será arrastada para o mundo complexo, perigoso e glamoroso do showbiz, percebendo que seu pior inimigo ainda está por surgir. Irresistível, comovente e muito engraçado, Chá de sumiço é diferente de todos os romances do gênero, e a protagonista – corajosa, vulnerável e dona de uma língua afiadíssima – é a heroína perfeita para os novos tempos.




Os livros da Marian Keyes são hilários e nem de longe são somente indicados ao público feminino como muitos leitores pensam. Este é o terceiro que leio da série Família Walsh e     mais uma vez termino encantado com as habilidades da autora para tratar do cotidiano e das dificuldades que as pessoas enfrentam no dia-a-dia, mas sem perder o bom humor, é claro.

Com o mesmo senso crítico, a mesma dose de humor na medida certa e mais uma história divertida e que te prende do início ao fim, a autora consegue mais uma vez entregar ao leitor um livro leve, divertido, de fácil compreensão, porém repleto de momentos profundos e reflexivos. Não dá para explicar bem o quanto os livros são bons para alguém que ainda não leu nenhum da autora, mas posso garantir que eu nunca li um drama (acho que é o estilo que melhor se encaixa, apesar de oficialmente ser Chick Lit) como encontrei nesses livros. E em minha opinião Chá de Sumiço é um dos melhores, afinal se trata justamente da história de Helen, a mais complicada e sem noção das irmãs Walsh.

Como comentei, o livro conta como anda a vida de Helen Walsh, a irmã do contra, que tem a personalidade mais irascível, complicada, forte e porque não, adorável entre todas as irmãs.

Enquanto a prole Walsh se contenta em seguir uma carreira de sucesso ou então em se tornarem pomposas donas de casa, Helen escolheu a carreira menos provável para uma mulher. Afinal detetive particular é profissão de ex-policiais gorduchos e violentos certo? Aparentemente essa é só mais uma regra social que a Srta. Walsh, por alguma razão, resolveu provar o contrário.

Porém seu passado depressivo e o período que passou no hospital psiquiátrico a persegue e a situação econômica da Irlanda também não vai bem, o que significa que a única motivação de Helen, seu emprego como detetive particular, está de mal a pior.

E para piorar, como se fosse uma brincadeira de mau gosto do destino, Jay Parker aparece de volta em sua vida logo após ela perder seu apartamento por falta de pagamento e ter de ir morar com seus pais novamente. Parker lhe oferece um trabalho, encontrar Wayne Diffney da boy band Laddz que desapareceu as vésperas do show de reencontro da banda.

Voltar a ativa é uma boa, mas será que Helen vai conseguir conciliar suas dores e sua depressão, além de dividir sua vida com o namorado e seus três filhos e a Ex dele, sua nova morada com os pais e a pressão de Jay Parker sempre rondando ao seu redor? O futuro não parece nada promissor para a mais estranha das garotas Walsh.

O que mais gostei no livro foi à personalidade da Helen que é muito bem montada pela autora. Sempre gostei da personagem e poder explorar seus problemas com a depressão e sua personalidade autêntica e completamente sem noção de padrões sociais foi divertidíssimo. Apesar que devo admitir que a Helen que vemos em Chá de Sumiço não é a Helen dos outros livros. . . .

Não gostei muito dos personagens que a autora inseriu para dar corpo a história. Exceto pelo desaparecido e pelo Jay Parker, os demais ficam flutuando como se esperassem uma deixa para terminar um capitulo, mas na verdade não são lá muito importantes. A profissão como detetive particular também é mal explorada durante a história, poderia ser mais envolvente.


Trechinhos:
“Olha só que ironia... Talvez eu seja a única pessoa que conheço que não acha nem um pouco maravilhosa a perspectiva de ir para ‘um lugar’ a fim de ‘descansar’. Vocês precisam ouvir minha irmã Claire tagarelando a respeito disso, como se acordar certa manha e descobrir que você está num hospital para doentes mentais fosse a experiência mais deliciosa do mundo. “

“Como é que vai ser? – Jay perguntou, olhando-me atentamente. – Pague-me primeiro. – Combinado! – Ele me entregou uma pilha de notas e eu as contei. Eram dez horas de trabalho, pelo dobro do preço, conforme prometera. – Então, agora vamos para a casa de Wayne? – perguntou, ansioso. – Não estou a fim de arrombar a casa de ninguém. – Algumas vezes estava. É ilegal, mas o que seria vida sem um pouco de terror provocado por uma bela descarga de adrenalina? “

“Mamãe tem uma forte veia dramática. É muito teatral e se agarra com unhas e dentes ao papel que desempenha. Às vezes, quando algum caso meu se complicava, ela me ajudava a ficar de tocaia e se empolgava bastante com o lance todo, comportando-se como se fôssemos uma dupla de detetives em algum seriado de TV, dirigindo rápido demais ee tomando distância para correr e arrombar portas com os ombros.”

“No instante em que chegamos ao prédio dele, já eram quatro horas e havia acabado de amanhecer, como acontece na Irlanda por essa época. O sol adora aparecer, vive em busca de atenção. É como uma criança que quer porque quer participar do seriado Glee e fica o tempo todo cantando e dançando, insinuando, sem parar: “olhem para mim!Olhem para mim!”

“Mesmo assim, ela me irritou tanto que decidi colocá-la na minha Lista da Pá. Escolhi a dedo o seu lugar no ranking: determinei que ela ficaria abaixo do CD As Maravilhas do Momento Presente e de bebedores de leite ou vino, mas estava bem acima de neve, cães, a voz do Urso Fozzie dos Muppets, recepcionistas de consultórios médicos, recepcionistas de cabeleireiros e cheiro de ovos fritos. O ranking da minha Lista da Pá era bastante variável, e eu me divertia muito reorganizando-o constantemente.”

Marian Keyes
Conclusão:
Eu esperava um pouco mais deste livro. Ele aborda um lado da Helen que não é o seu melhor apesar de não tornar a história chata. Assim como os demais livros da série família Walsh, Chá de Sumiço é certeza de diversão com uma leitura leve e um estilo original que você só em contra na escrita de Marian Keyes.

Autora: Marian Keyes
Livro: Chá de Sumiço (The mystery of Mercy Close)
Editora: Bertrand Brasil (Penguin)
Ano: 2013 (2012)
Páginas: 644

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