ADs

Resenha (58) - O Guerreiro Pagão

As Crônicas Saxônicas - O Guerreiro Pagão

Sinopse:
Após um incidente envolvendo um abade, Uhtred, um dos últimos senhores pagãos entre os saxões, se vê atacado pela Igreja e por seus seguidores. Sem suas terras e com poucos homens, tudo que lhe resta é colocar um ousado plano em prática: recuperar Bebbanburg, a fortaleza onde cresceu e que foi tomada por seu tio. Porém, o que Uhtred não sabe é que sua missão pessoal vai colocá-lo num ardil capaz de reacender o confronto entre saxões e dinamarqueses, que pode selar de uma vez por toda o destino da Britânia e de sua rivalidade com Cnut.

Bebbanburg, a casa de Uhtred.
As Crônicas Saxônicas é uma série de livros escrita pelo excelente escritor inglês Bernard Cornwell  e este é o 7° livro desta série que sou apaixonado.
Na verdade adoro tudo que Cornwell escreve. Seus livros são todos romances históricos baseados em fatos reais com personagens fictícios em narrativas cheias de guerras, amores, sangue e morte!  Tirando a saga Sharpe, li tudo que o autor escreveu até agora e ele é de longe meu autor preferido na atualidade.

Em As Crônicas Saxônicas todo o talento de Bernard Cornwell está a vista do leitor, na narrativa de Uhtred de Bebbanburg, o guerreiro saxão mais temido de toda a futura Inglaterra, mas que na verdade é nórdico de coração.

Com a mesma narrativa forte e envolvente já presente nos outros seis livros, Cornwell explora o que seria o começo do fim dos impérios Vinkings na Inglaterra e o inicio da dominação saxã e da igreja católica nas terras que viriam a se tornar um dos maiores impérios do mundo.

O livro é muito bem escrito e a junção entre fatos históricos e ficção é realizada de forma perfeita, onde muitas vezes temos que nos lembrar de que estamos lendo uma história não uma narrativa ao vivo dos fatos. A imersão dentro do universo medieval retratado nas histórias é deliciosa de vivenciar e extremamente viciante.


Uhtred está de férias da guerra. Wessex, Mercia, Anglia Oriental e a Nortúmbia vivem um momento de relativa paz e a igreja está convencida de que esta paz ira perdurar. Eduardo, herdeiro do Rei Alfredo e hoje Rei de Wessex está confortável com essa visão dos padres e contente em poder reinar em suas terras e deixar os nórdicos com a Anglia e a Nortúmbia, desde que estes o deixem em paz por sua vez.

Navios Noruegueses segundo o Canal History.
Mas os Vikings não ficaram famosos por se sentarem em suas casas engordando e cuidando das lavouras. Enquanto todos pensam que nada vai mudar, os principais líderes da invasão nórdica estão se reunindo em segredo e tramando mais uma guerra, uma grande batalha decisiva que vai dar todas as ricas terras saxãs para eles. E mais uma vez Uhtred é o único a perceber o movimento daqueles que são seus inimigos adorados.

Em descrédito, sem terras e sem nome após uma tentativa frustrada de arrancar seu filho do cristianismo, Uhtred embarca em uma louca missão para resgatar a terra que é sua por direito, Bebbamburg, porém ainda não é a hora de voltar para casa. Após um ataque frustrado Uhtred percebe que as normas do destino mais uma vez o chamam para bailar no grande salão que é a Inglaterra, e mais uma vez cabe a Uhtred salvar aqueles que o odeiam e o Deus que ele despreza.

O que mais gosto nos livros do Bernard Cornwell é a mistura entre ficção e fantasia. É impossível não viajar junto com os personagens pelas terras inglesas e lutar lado a lado com os guerreiros nas paredes de escudos. O autor tem o raro talento de inserir o leitor na história e toda vez que fecho o livro tenho que me forçar a voltar à realidade. Ler As Crônicas Saxônicas é como viajar no tempo.

Acho que 7 livros está se tornando um pouco demais. Adoro a série e sentirei muita falta de Uhtred quando esta acabar, mas é visível que alguns pontos do livro ficaram repetitivos. Tudo indica um final no 8° ou 9° livro e assim espero que seja, pois corre-se o risco de termos volumes somente com páginas repetitivas e sem conteúdo. Ainda não é o caso, mas esse sétimo teve algumas coisas que achei um pouco forçadas para quem acompanha desde o primeiro livro.


Trechinhos:

“Mas Osbert, meu filo mais novo, estava atrás de mim, montando um garanhão cinza. Ele tinha 19 anos, usava cota de malha e levava uma espada a cintura. Agora era um homem, mas eu pensava nele como um menino. Eu o amedrontava, como meu pai havia me amedrontado. Algumas mães amolecem os filhos, mas Osbert não tinha mãe e eu o havia criado com dureza, porque um homem precisa ser duro. O mundo é repleto de inimigos. Os cristão dizem para amarmos nossos inimigos e darmos a outra face. Os cristãos são idiotas.”

“- Então, quanto quer pelo Middelniht?
Nós regateamos, mas Kenric sabia que tinha o chicote na mão e paguei muito. Eu também precisava de remos e cabos, mas concordamos com o preço e Kenric cuspiu na mão e a estendeu para mim. Hesitei, depois a apartei.
- Ele é seu – anunciou ele. – E que lhe traga fortuna, senhor.
Eu era o dono do middelniht, um navio construído com madeira cortada no escuro.
Era um comandante de navio outra vez. E ia para o norte.”

“- Nós venderemos o menino de volta ao pai e vamos convencer a mãe a ficar conosco. É o que você quer, não é? – Ele fez que sim, mas não disse nada.
- Você está apaixonado – falei, e vi que havia deixado Osferth sem graça, mas mesmo assim continuei: - E estar apaixonado muda tudo. Um homem é capaz de lutar através dos incêndios do Ragnarok porque está apaixonado; vai se esquecer do mundo inteiro e fazer coisas insanas pela mulher que ama.
- Eu sei.
- Sabe? Você nunca sentiu essa loucura antes.
- Eu tenho observado senhor, e o senhor não está fazendo isso por Wessex ou pela Mércia, mas por minha irmã.”

“- O Jarl Cnut disse que deveríamos deixar Ethelred da Mércia dormir.
 - Ele não queria começar uma guerra?
- Na época, não. Mas agora?
 - Agora vocês podem tratar a ralé saxã como merece.
- Também já não era sem tempo senhor.
- Eu sou da ralé saxã – anunciei. Houve silêncio. Eles não tinham certeza se me escutaram direito. Afinal de contas viam um homem com cabelos compridos, usando o martelo de Tor, os braços cheios dos ricos braceletes que os dinarmaqueses usam como troféus de batalha. Sorri para eles. – Sou da ralé saxã – repeti.”

Bernard Cornwell
Conclusão:

Como já disse, Bernard Cornwell é meu autor favorito. Mais do que recomendo seus livros a qualquer amante do período medieval, em especial as Crônicas Saxônicas da qual falamos na resenha e da Trilogia As Crônicas do Rei Arthur. Se gosta deste período da história humana e acima de tudo gosta de ler um bom livro, então deve começar a ler os livros deste autor.

Autor: Bernard Cornwell
Livro: O Guerreiro Pagão (The Pagan Lord)
Editora: Record (HarperCollins)
Ano: 2014 (2013)
Páginas: 335

Ler é Mais

Lorem ipsun