ADs

Resenha (53) - Dragões de Eter - Círculos de Chuva

Dragões de Eter - Círculos de Chuva

Sinopse:
Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo Rei e vive a esperada Era Nova. Coisas estranhas, entretanto, nunca param de acontecer... Dois irmãos sobreviventes a uma ligação com antigos laços de magia negra descobrem que laços dessa natureza não se rompem tão facilmente e cobram partes da alma como preço. Uma sociedade secreta renascida com um exército de órfãos resolve seguir em frente em um plano com tudo para dar errado em busca do maior tesouro já enterrado, sem saber o quanto isso pode mudar a humanidade. O último príncipe de Arzallum viaja para um casamento forçado em uma terra que ele nem mesmo sabe se é possível existir, disposto a realizar um feito que ele não sabe se é possível realizar. Uma adolescente desperta em iniciações espirituais descobre-se uma mediadora com forças além do imaginário. E um menino de cinco anos escala uma maldita árvore que o leva aos Reinos Superiores, ferindo tratados políticos, e dando início à Primeira Guerra Mundial de Nova Ether.



Este é o terceiro e consequentemente último, livro da trilogia de Raphael Draccon. Posso garantir a vocês que valeu a pena ler todas as mais de 500 páginas de Círculos de Chuva.
O livro flui com naturalidade, continuando a história da onde havia parado em Corações de Neve, com Nova Éter em vias de iniciar sua primeira guerra mundial e nossos personagens afastados e perdidos em suas próprias sagas.

Mais uma vez Draccon muda de forma sutil sua narrativa. A sensação que temos é de que todos os livros são diferentes e ao mesmo tempo uma coisa só. Isso não é ruim como você pode estar pensando! O autor se adaptou ao próprio texto e sua mudança na forma de contar a história não atrapalha, pelo contrário, dá corpo a narrativa e a torna mais agradável de ler e de acompanhar.

Com uma trama bem costurada desde o primeiro livro, Círculos de Chuva encanta o leitor que acompanha a história. É pouco provável que alguém irá se decepcionar com o desfecho de Nova Éter ou dos seus personagens preferidos.


Diferentemente dos dois primeiros livros, este foca mais na política de Nova Éter do que nas histórias dos personagens. Com a guerra estourando em todo o mundo, o autor baseia a obra no conflito e nos reflexos que este tem para todos os habitantes de Arzallum e do mundo, que observa o reino dos reinos e
Capitã Bradamante - Por: Alice Araújo
m desvantagem e muito perto da derrota antes mesmo de a batalha nos campos começar.

Nossos queridos personagens estão envolvidos em tarefas diversas onde suas vidas e o destino de Nova Éter, estão entrelaçados. Porém alguns deles foram perdendo importância para mudar o mundo enquanto outros se tornarão verdadeiros heróis através de suas ações.

Áxel está na terra do nunca tentando garantir o apoio do Rei Élfico para a guerra e por um outro motivo também que não vou contar para não dar spoiler.

Maria, agora sem seu amado, tenta juntar os cacos enquanto acompanha os acontecimentos a distância e tenta lidar com a atenção de belos e nobres jovens que insistem em cortejá-la. Maria para mim foi a única decepção na história, acho que Draccon poderia desenvolvê-la  de outras formas.

João é o que sempre se ferra. Não basta a infância sofrida sua vida parece que também tem que ter o mesmo grau de sofrimento. Adorei a mudança do personagem, a forma como amadurece precocemente e o papel que ele tem na história.

Arianne é a eterna aprendiza em grande parte do livro. Mas ao contrário de Maria, ela ainda será importantíssima para a história, apesar de não ter a importância de João e também ficar algumas vezes em segundo plano.

E um novo personagem ganha força neste último livro. A Capitã Bradamante será decisiva na guerra e tem tudo para se tornar o verdadeiro herói de Arzallum. Adorei o que o Draccon fez com ela, mas senti falta do Japa que acaba sendo usado em outros cantos de Nova Éter e aparece bem pouco...


O que mais gostei no livro foi à manutenção da história. Não teve muitas invenções nem eventos grandiosos e exagerados, comum em livros de fantasia nacionais. É visível que o autor sabia onde queria chegar desde o começo e não ficamos com a sensação de um final feito as pressas ou de muita enrolação só para compor capítulo. O universo criado, a ideia por trás de tudo, torna essa trilogia deliciosa de ler e quase impossível para amantes de fantasia não gostar.

O que não gostei foi a forma como alguns personagens sumiram ou foram relegados do primeiro plano para meros coadjuvantes. Não estragou a história mas alguns personagens dos quais eu gostava ficaram meio esquecidos na história. E como todo ser romântico que leu Dragões de Éter também não gostei de algumas, ou todas, as coisas referentes a Áxel x Maria.

Trechinhos:

“Compreendo tua visão. Entretanto, anos como homem do mar, e curioso pela natureza humana, me ensinaram uma lição que tomei como um perfeito axioma: culturas não e medem com sinais de mais ou de menos. Se assim o fizermos, com certeza elas terão muito espanto m relação a atitudes da cultura humana.”

“(..)orientais que cruzam oceanos em máquinas voadoras construídas por gnomos que trazem mensagens de princesas de Jade, que existe mais entre o cú e a terra do que podemos supor. E que existem linhas traçadas por um Criador que não podemos compreender por completo, mas sempre possuem um sentido. E eu preciso acreditar nelas. Porque a existência de um homem também esbarra na fé.”

“Áxel Branford descobria um mundo em que bastavam pensamentos e sentimentos para seres de raças diferentes se compreenderem. E, se isso não tocava na fantasia mais profunda da busca de uma alma humana, então o fantástico não existia.”

“Uma vez, Ariane lhe contou sobre um sonhos estranho de uma terra em que cavaleiros acendiam os olhos quando próximos de seres bestiais, e, para variar, a garota se ofendeu quando ele riu da seriedade com que ela levava aquela conversa. Dessa vez, porém, os olhos não se acendiam, mas era impossível negar que ele passava a compreender a atração irracional de um inimigo pelo outro.”

“Você é mais burro do que pensei. Logo, se é estúpido, faça então o trabalho que qualquer estúpido pode fazer. Limpe a sujeira espalhada pelo estábulo, dê ração aos animais e depois dê banho no cavalo. Ela já está cheirando pior que você. . . “

“Tipo... eu tava com saudade... sabe... assim ó... – e ela aproximou o polegar do indicador, como se fosse uma saudades bem pequena. João Hason sorriu. Um riso desarmado, do tipo que um homem sorri diante de uma mulher que consegue dele o que quiser, simplesmente porque existe.”

Conclusão:
Como sou feliz por ter tido em mãos a trilogia de Raphael Draccon. Um conto de fadas que na verdade é uma releitura de conto de fadas que conta a vida de pessoas fantásticas e fala de valores como honra, sinceridade, humildade e dignidade. Uma história de monstros e de heróis, de bruxas e de caçadores, de piratas e príncipes mas, acima de tudo, fala sobre amor e sobre o que a vida tem de bom. Em Nova Éter podemos viver outro mundo e outras vidas, nas palavras de Draccon sonhar e imaginar nunca pareceu tão fácil.


Autor: Raphael Draccon
Livro: Dragões de Éter – Círculos de Chuva
Editora: Leya
Ano: 2012
Páginas: 534


Ler é Mais

Lorem ipsun