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Dica de Leitura - Erik Vermelho

Erik Vermelho - Os vikings na América (Berlendis, 2014)


Não é à toa que, recentemente, tem-se evitado a expressão "descoberta da América": em primeiro lugar, é claro, porque neste continente já havia milhões de habitantes indígenas. Mas há também uma segunda razão para isso. Muito antes de Cristóvão Colombo fazer seu famoso "achado", certos povos europeus... já conheciam a América há séculos!
A narrativa desses eventos chegou até nós não como um livro escrito pelo que hoje chamaríamos um historiador, mas em uma forma literária muito explorada nos países nórdicos durante a Idade Média, a saga islandesa. Helena Gomes partiu da leitura das mais importantes sagas sobre a colonização viking da América - a Saga de Erik Vermelho e a Saga dos Groenlandeses - para recriar sua própria versão dessa aventura. As ilustrações são de Julio Carvalho.


O processo de produção e adaptação como este é longo, segundo Helena, pois é fundamental pesquisar com profundidade a cultura e o contexto do original, para não deixar escapar nenhum detalhe. “A pesquisa envolve aspectos históricos, sociais, geográficos e culturais que, de modo direto ou indireto, fazem parte da narrativa. Portanto, deve ser ampla, mas também muito minuciosa e sempre feita junto a fontes confiáveis. Isso é imprescindível para manter o espírito da obra original, sem agredi-la ou deturpá-la. Todo o cuidado é pouco na hora de escrever”, afirma.

Apesar de primar pela preservação do espírito original do texto-base, a autora afirma ainda ser necessário trazer a linguagem para os dias de hoje, a fim de tornar a leitura atraente aos leitores modernos. “No geral, textos antigos trazem histórias com linguagem complicada e um modo de narrar muitas vezes cansativo para o leitor de hoje. Procuro, então, contar do meu jeito, repensando a linguagem, mas me mantendo fiel à história original e trabalhando modificações necessárias que soem coerentes dentro desse universo”, conclui a autora.
As belíssimas ilustrações de Julio Carvalho dão vida às principais passagens do livro. Assim como Helena, o ilustrador também considera necessário tomar cuidado em adaptações desse tipo para não distorcer nenhum elemento característico à época em que foi escrito, mas entende que é também fundamental criar, a partir de referências modernas, novos modelos que sejam condizentes com o contexto atual, sem deixar que a essência do original se perca. “É fundamental compreender as referências históricas, mas é igualmente importante acrescentar detalhes diferentes, que não existem. Sempre que vejo ilustrações com o tema Viking, percebo que as figuras humanas são incrivelmente musculosas, exageradas em certa medida. Meu maior desafio foi fugir desse modelo sem perder a identidade das figuras clássicas”, explica Julio.

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