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Autores Pelo Mundo - Peru

Conheça os principais autores peruanos nessa lista elaborada pelo Blog. 

A Literatura é algo fantástico que somente os adeptos da prática conseguem compreender. Encontrar a história por trás daquele punhados de frases e palavras e ser capaz de se emocionar de formas distintas conforme avança nessa viagem é uma sensação única e viciante. E essa impressão que retiramos do texto tem um pedaço do autor, suas paixões, suas emoções e até mesmo o período em que viveu estão impressas naquelas palavras e o leitor perspicaz consegue identificar mais do que diz o texto.

Pensando nisso, o Blog vai lançar uma série de posts destinados a apresentar autores famosos de outros países. São na grande maioria clássicos do século passado mas que valem a leitura do mesmo jeito. E vamos começar a série com o Perú, pequeno país da América do Sul que muitos brasileiros pensam ser habitado por índios que vivem na miséria, mas que pode ser visto através da literatura que está longe de ser assim.

Cesar Vallejo
É um dos mais notórios escritores peruanos e de longe considerado o maior poeta deste país. Teve uma vida dificil  sempre próximo a pobreza e perseguido politicamente principalmente por pertencer ao grupo dos intelectuais, o que era considerado um 'quase crime' pela maioria dos governos em meados de 1910 à 1940.

A obra de Vallejo se destacou pela forma elaborada e vanguardista na qual foi escrita. Com inovação e utilizando uma mescla de técnicas que ninguém havia ainda ousado, Cesar Vallejo criou poemas e textos muitas vezes a frente de sua época, o que lhe levou ao reconhecimento mundial.

Há poucas publicações em português sobre o poeta e romancista. Para conhecer melhor sua obra tem que dominar o castelhano porém são diversas as traduções não oficiais que podem ser encontradas na internet, apesar que, quando se trata de poesia, é muito melhor se puder ler na língua original para não perder a essência e o contexto sore o qual o autor se expressava.

Confira abaixo um dos mais famosos e homônimo ao seu livro de estréia, 'Los Heraldos Negros'.
Los Heraldos Negros
Os Arautos Negros
Hay golpes en la vida tan fuertes... Yo no sé!
Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos,
la resaca de todo lo sufrido
se empozara en el alma... Yo no sé!
Son pocos, pero son... Abren zanjas oscuras
en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte.
Serán tal vez los potros de bárbaros atilas;
o los heraldos negros que nos manda la Muerte.
Son las caídas hondas de los Cristos del alma,
de alguna fe adorable que el Destino blasfema.
Esos golpes sangrientos son las crepitaciones
de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.
Y el hombre... Pobre... pobre! Vuelve los ojos, como
cuando por sobre el hombro nos Ilama una palmada;
vuelve los ojos locos, y todo lo vivido
se empoza, como charco de culpa, en la mirada.
Hay golpes en la vida, tan fuertes... Yo no sé!

Há golpes na vida tão fortes... Eu nem sei!
Golpes como do ódio de Deus; como se ante eles
a ressaca de quanto foi sofrido
se empoçara na alma... Eu nem sei!
São poucos, porém são... Abrem sulcos escuros
no rosto mais fero e no lombo mais forte.
Serão talvez os potros de bárbaros átilas;
ou os arautos negros que nos manda a Morte.
São as caídas fundas dos Cristos da alma,
de alguma fé adorável que o Destino blasfema.
Esses golpes sangrentos são as crepitações
de algum pão que na porta do forno se queima.
E o homem... Pobre... pobre! Volve os olhos, como
quando por sobre os ombros nos chama uma palmada;
volve os olhos loucos, e todo o vivido
se empoça, como charco de culpa, na mirada.
Há golpes na vida tão fortes... Eu nem sei!

Tradução de: Fernando Mendes Vianna
As demais obras de Vallejo são: Trilce (1922); Escalas melografiadas (1923); Fabla Salvaje (1923); El Tungsteno (1931); Rusia 1931 (1931, 1959 y 1965); Poemas humanos (1939); España, aparta de mi este cáliz (1940);Hacia el reino de los Sciris (1944); Rusia ante el segundo plan quinquenal (1965);Obra Poética Completa (1968); Obra publicada por Enrique Ballón Aguirre, contendo quatro dramas (2 volumes, 1979):
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Mario Vargas Llosa
Esse sem dúvida você já ouviu falar. Mais notório e famoso escritor peruano e detentor do prêmio Nobel de literatura de 2010, Mario Vargas coleciona premiações mundo afora e é reconhecido em diversas líguas diferentes. Hoje com 78 anos, Llosa começou sua carreira com a publicação de contos, mais especificamente seis contos intitulados Los Jefes (Os Chefes) em 1959. Mas sua primeira obra a ganhar espaço e que inclusive é uma das mais famosas até os dias atuais foi La ciudad y los Perros (A Cidade e os Cachorros) (1966). O escritor que tem raízes socio-políticas como a maioria dos grandes da época, tem diversas obras publicadas em nossa língua e é a principal porta de entrada para a literatura peruana.

Prólogo de A Cidade e os Cachorros:
"Comecei a escrever'A cidade e os cachorros'no outono de 1958, em Madri, numa taberna da Menéndez y Pelayo chamada El Jute, que dava para o parque do Retiro, e terminei o romance no inverno de 1961, numa água-furtada de Paris. Para inventar sua história, tive antes de ser, menino ainda, alguma coisa de Alberto e do Jaguar, do serrano Cava e do Escravo, cadete do Colégio Militar Leoncio Prado, miraflorino de Barrio Alegre e vizinho de La Perla, em Callao; e, já adolescente, tive de ler muitos livros de aventura, acreditar na tese de Sartre sobre a literatura engajada, devorar os romances de Malraux e admirar sem limites os romancistas norte-americanos da geração perdida, todos eles, mas, mais que todos, William Faulkner. Esse é o barro de que é feito meu primeiro romance, mais alguma fantasia, ilusão juvenil e disciplina flaubertiana.O manuscrito rodou como alma penada de editora em editora, até chegar, graças a um amigo meu, o hispanista francês Claude Couffon, às mãos barcelonesas de Carlos Barral, que dirigia a Seix Barral. Ele fez que ganhasse o prêmio Biblioteca Breve, conspirou para que o romance driblasse a censura franquista, promoveu-o e conseguiu que fosse traduzido para várias línguas. Este é o livro que mais surpresas me preparou e graças ao qual comecei a sentir que se tornava realidade o sonho que eu alentava desde o tempo das calças curtas: chegar, um dia, a ser escritor."

As demais obras de Llosa são: La casa verde (1966); Los cachorros (1967); Conversación en La Catedral (1969); Pantaleón y las visitadoras (1973); La tía Julia y el escribidor (1977); La guerra del fin del mundo (1981); Historia de Mayta (1984); ¿Quién mató a Palomino Molero? (1986); El hablador (1987); Elogio de la madrastra (1988); Lituma en los Andes (1993); Los cuadernos de don Rigoberto (1997); La Fiesta del Chivo (1998); El paraíso en la otra esquina (2003); Travesuras de la niña mala (2006); El sueño del celta (2010); El héroe discreto (2013).
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Abraham Valdelomar
Poeta contista e romancista Valdelomar costumava passear por genêros diferentes em suas escritas, mesclando técnicas e iniciando tendências para os autores que viriam a se inspirar em sua obra.

Não obteve tanto reconhecimento internacional, o que torna dificil encontrar obras traduzidas em nossa língua, mas é considerado um dos maiores escritores do Peru em suas terras. Publicou três romances e diversos contos que foram depois reunidos em dois volumes distintos. Além disso, também publicou inúmeros poemas, um deles reproduzido abaixo.

Tristitia
Tristeza
Mi infancia, que fue dulce, serena, triste y sola,
se deslizó en la paz de una aldea lejana,
entre el manso rumor con que muere una ola
y el tañer doloroso de una vieja campana.

Dábame el mar la nota de su melancolía;
el cielo, la serena quietud de su belleza;
los besos de mi madre, una dulce alegría,
y la muerte del sol, una vaga tristeza.

En la mañana azul, al despertar, sentía
el canto de las olas como una melodía
y luego el soplo denso, perfumado, del mar,

y lo que él me dijera, aún en mi alma persiste;
mi padre era callado y mi madre era triste
y la alegría nadie me la supo enseñar.

Minha infância, que foi doce, serena, triste e solitária,
passou tranquila na paz de uma aldeia remota,
entre o murmurar com que se morre uma onda,
e o tocar doloroso de um sino velho.

Me de, o mar a sua nota de melancolia;
o céu, a quietude serena de sua beleza;
os beijos de minha mãe, uma doce alegria;
e a morte do sol, uma vaga tristeza.

na manhã azulada, ao despertar, sentia
o Canto das ondas como uma melodia
e em seguida o denso e perfumado  sopro do mar,

e o que ele me disse, em minha alma ainda persiste;
Meu pai era calado e minha mãe era triste
E a alegria nínguem me pode ensinar.

Tradução de: Fabio de Toledo Tonhosol

As demais obras de Valdelomar são: La ciudad muerta (1911); La ciudad de los tísicos (1911); Yerba Santa (1911);  El caballero Carmelo (1918); Los hijos del Sol (1921). Há ainda diversas obras para o teatro e contos poéticos que não foram listados.
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José María Arguedas Altamirano
Nasceu em Andahuaylas - Peru em 18 de janeiro de 1911 foi um escritor e antropólogo peruano.
Além romancista, também se destacou pelas traduções da literatura quíchua e como um estudioso do folclore de seu país.
Estudou na universidade de San Marcos em Lima e publicou sua primeira obra, Agua, em 1935, sendo esta uma série de contos. Outras de suas obras são Los ríos profundos (1956), Todas las sangres (1964) e El zorro de arriba y el zorro de abajo de 1971. Arguedas é o escritor dos encontros e desencontros de todas as raças e de todas as pátrias, mas não é testemunho passivo, não se limita a fotografar e descrever. Toma partido! Em sua vida fez uma opção, atribuída em um de seus primeiros contos a Ernesto, personagem autobiográfico que, repelindo a violência do mundo dos mistis, decide passar para o mundo dos oprimidos. Suicidou-se com um tiro em 1969. Teve algumas de suas obras traduzidas para o português sendo a mais famosa e a que indicamos para leitura Os Rios Profundos (Los Rios Profundos).

Trecho de Os Rios Profundos, pg 48 e 49. (Ed. Paz e Terra 1977)
“Elas só conheciam huaynos do Apurímac e do Pachachaca, da terra morna onde crescem a cana-de-açúcar e as árvores frutíferas. Quando cantavam com suas vozes fraquinhas, pressentíamos outra paisagem; o ruído das folhas grandes, o brilho das cascatas que saltam entre arbustos e flores brancas de cactos, a chuva pesada e tranquila que cai sobre os campos de cana; as quebradas em que brilham flores de pisonay, cheias de formigas vermelhas e insetos vorazes:
Quéchua
Português
Ay siwar k’enti!                                       
amaña wayta tok’okachaychu,
siwar kenti.
Ama jhina haychu
mayupataman urayamuspa
k’ori raphra,
kay puka mayupi wak’ask’ayta
K’awaykamuway
K’awaykamuway
siwar k’enti, k’ori raphra,
llakisk’ ayta,
purun wayta kirish’aykita,
mayupata wayta
sak’esk’aykita.
Ai, beija-flor!
não fures tanto a flor,
asas de esmeralda.
não sejas cruel
desce a beira do rio,
asas de esmeralda,
e olha-me chorando junto da água vermelha
olha-me chorando.
Desce e olha-me,
beija-flor dourado,
toda minha tristeza,
flor do campo ferida,
flor dos rios
que abandonaste.



As demais obras de Arguedas são: Agua(1935); Yawar fiesta(1941); Diamantes y pedernales(1954); Los ríos profundos(1958); El Sexto(1961); Todas las sangres(1964); Amor mundo(v) El zorro de arriba y el zorro de abajo(1971); Túpac Amaru Kamaq taytanchisman. Haylli-taki(1962); Oda al jet(1966); Qollana Vietnam Llaqtaman(1969); Katatay y otros poemas(1972).
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Alfredo Bryce Echenique
Outro autor peruano de renome mundial e ainda vivo (tem hoje 75 anos) é Alfredo Bryce Echenique. Com obras publicadas no Brasil pela eitora Rocco, sendo a principal delas 'Um Mundo para Julios', Echenique encanta principalmente pelos seus personagens simpáticos rechados de tons de irônia, delírios e algo grotesco.
Nascido em Lima, o autor vem de uma família abastada onde seu paí inclusive já foi presidente da república. Não somente por isso, seus textos tem influencia politica e em entrevistas costuma ser um grande crítico do governo peruano e da política internacional em modo geral.
Apesar de algumas denúncias de plagio em suas obras, o autor goza de grande estima no mundo literário e suas obras são admiradas por todos que chegam a conhecer seus textos.

Sinopse:
Um Mundo Para Julius é o retrato de um sector feliz e despreocupado da oligarquia da cidade de Lima que, na realidade, reflecte o mundo da oligarquia de muitas outras cidades contemporâneas.
O personagem central, o menino inteligente e bem tratado pela fortuna, um rebento feliz do bem estar, é sobretudo um pretexto, o ponto de continua confluência de um sistema de costumes e de ideias que configuram uma situação cheia de bom gosto, ameaçada pela fragilidade e sublinhada por uma injustiça terrível.
O livro é um exemplo muito raro na língua castelhana de subtileza narrativa, de esforça estilístico para manter os episódios à margem de qualquer qualificação directa, reproduzindo-os com ternura e com tudo o que têm de realmente formoso, de fácil e atraente como uma pele suave.

As demais obras de Echenique são: Un mundo para Julius(1970); Tantas Veces Pedro(1977); La vida exagerada de Martín Romaña(1981); El hombre que hablaba de Octavia de Cádiz(1985); La última mudanza de Felipe Carrillo(1988); Dos señoras conversan(1990); No me esperen en abril(1995); Reo de nocturnidad(1997); La amigdalitis de Tarzán(1999); El huerto de mi amada(2002); Las obras infames de Pancho Marambio(2007); Dándole pena a la tristeza(2012).


Espero que tenham gostado do post. Há muitos outros autores no país, como por exemplo Julio Ramon Ribeyro, Ciro Alegria, José María Eguren, Jaime Bayly e Oswaldo Reynoso, que valem a pena os minutos gastos para conhecer suas obras.

Não se esqueça também de conhecer nossos autores nacionais. O Brasil vai além de Paulo Coelho e dos clássicos de escola no mundo da literatura.



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