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Resenha (45) - Os Filhos do Imperador

Os Filhos do Imperador

Sinopse:
Marina, Danielle e Julius se conhecem na universidade e se tornam amigos. Todos têm algo em comum: estão certos de que em muito pouco tempo estarão fazendo algo extremamente importante para o mundo. Porém, quando chegam perto dos 30, as coisas não estão do jeito que devem estar. Danielle está se matando para produzir documentários para a televisão, Julius mal consegue sobreviver como jornalista autônomo e Marina, a deslumbrante filha de um famoso ativista social, Murray Thwaite, ainda vive com seus pais, sem conseguir terminar o livro que está escrevendo sobre como as mudanças na moda infantil refletem as mudanças sociais. Para piorar, duas pessoas chegam e desestabilizam a amizade dos três: Ludovic, uma australiana ambiciosa que tenta usar Marina para destruir a reputação de seu pai e entrar em seu fechado grupo social, e Frederick Tubb, sobrinho de Murray, um rapaz imaturo e idealista que largou a faculdade para viver como um intelectual nova-iorquino.

Tendo como pano de fundo a sociedade atemorizada após o 11 de setembro, Claire Messud faz, em Os filhos do imperador, um retrato bem-humorado de toda uma geração com seu estilo direto e envolvente, construindo uma magistral comédia de costumes.
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Os Filhos do Imperador foi um livro difícil de ler. Narrando a história de três amigos que se conheceram na faculdade de jornalismo, a autora escreve uma narrativa cansativa e que parece não ter muito propósito. São três pessoas que se consideram pequenos intelctuais que fazem parte da intelligentsia americana, ou mais especificamente de Nova York.

Isso torna o livro um drama contemporâneo ambientado na Nova York pré-atentados. Mas esse não é o problema maior do livro. A autora abusa de referências bibliográficas para colorir sua narrativa o que cansa o leitor que não tem como conhecer e nem deveria conhecer todos os livros que ela julga ou julgava bons e indispensáveis. Além disso, apesar de obviamente se tratar de uma história sobre os três jovens, o principal personagem e mais explorado é o pai de um deles, o famoso a consagrado jornalista Murrey Thwaite.

O livro não é o pior que já li e nem mesmo posso afirmar que é ruim. Mas não gostei de muitos aspectos do livro para deixar passar em branco uma critica. A história, como disse antes, se baseia nos dramas de 3 jovens amigos que estão no momento da vida onde repensam suas atitudes e a vontade de ser ou fazer algo importante toma conta. Cada qual com sua dificuldade e seus desejos particulares, Marina, Danielle e Julius tentam viver com glamour em NY e ao mesmo tempo buscam se tornarem famosos e importantes entre os famosos e importantes da mídia e da ‘nata’ nova-yorquina.

Marina é filha de Murrey Thwaite e tem uma vida abastada e tranquila, porém se sente atormentada pela sombra do sucesso do pai e vive na tentativa de terminar seu livro que começou a escrever anos atrás e não sabe mais se sequer acredita nos mesmos ideias.

Julius é um critico e repórter free lancer bem conhecido em seu ramos mas que vive com dificuldades financeiras e em busca de um maior reconhecimento além de um emprego fixo.

Danielle é a melhor amiga de Marina e a mais bem sucedida do grupo. Produtora de uma rede de televisão tem estabilidade e liberdade em seu trabalho mas vive frustrada por não conseguir fazer um programa que realmente signifique algo, que mereça ser exibido na televisão, que tenha algum significado.

Além dos três personagens que deveriam ser os principais ainda temos a confusa, enigmática e forçada presença do sobrinho de Thwaite, que foi um dos piores personagens que já encontrei em um livro, apesar de suas ações servirem de gancho para o desenrolar da trama.

E o que isso tudo muda na história do livro? Nada! A história parece querer mostrar a história de Thwaite que aos poucos vai assumindo o papel de protagonista e dominando as principais passsagens e dilemas do livro e no final acabamos sem entender direito o que a autora quis mostrar ou passar aos seus leitores. Os personagens ficam meio perdidos, todo o clímax do drama é destruído por um fator externo que nada tinha a ver com a história e quando menos percebemos o livro termina. E tinha muita coisa que eu queria respostas ou ver se desenvolver mas que ficaram perdidas e tiveram um fim meio surreal e sem sentido.
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O que gostei no livro foi a ideia. A sinopse dizia ser uma critica ao meio de vida americano e achei que leria um livro cheio de sarcasmo e tiradas inteligentes, afinal ninguém melhor que os americanos para falar mal deles mesmos. Não vi isso no livro mas mesmo assim gostei da forma como a autora deprecia a prepotência americana que pensa que ler alguns clássicos literários os tornam grandes pensadores contemporâneos. Também gostei da construção do personagem Murrey e. . . só! Não consigo pensar em mais um ponto positivo no livro.

Agora o que não gostei! Exceto Murray e Danielle, os outros personagens são infantilizados e fracos, são construídos de forma aleatória e ruim. Parecem crianças em corpos de adultos, crianças muito mimadas por sinal. Além disso todos os outros personagens são exagerados e incrivelmente infantis e ridiculamente egoístas. Não sei se a ideia da autora era essa mas não é possível perceber ironia no texto se era isso que ela pretendia.
E o final é um desastre a parte. A única explicação que tenho é que a autora usou um fato histórico para terminar um livro do qual perdeu o controle. Porque ninguém esperaria que as coisas ocorressem como ocorreram e acho pouco provável que alguém realmente tenha achado interessante esse final.
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Trechinhos:

“As orelhas eram de abano, como se ultrajadas pela traição mais recente, a sua língua saía de tempos em tempos para lamber os lábios, num tique tão repetido quanto inconsciente.”
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“Eu nunca pedi para minha filha se tornar escritora, disse ele. Muito pelo contrário. Acho que, se você é capaz de fazer outra coisa, faça. Porque é uma vida estimulante, mas incerta. Mas eu a fiz entender que integridade é tudo, tudo o que temos. E, se você tem uma voz, um dom, é moralmente obrigado a exercê-lo.”
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“Porque, na real, você pensa que sabe o que é melhor para ele. Ou pior. Você presume que o melhor para você seria o melhor para ele, que serviria alguma fantasia, uma palavra sua de verdade objetiva, na qual você se enquadra; quando na realidade, a vida dele e a sua estão tão separadas que a mesma verdade simplesmente não se aplica.”
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“Sério. É narcisismo amar um muro e ressentir-se por ele não corresponder ao sentimento. É perverso. Amor mútuo, floresce com a reciprocidade. Não se pode ter amor de verdade sem afeto em retorno. Do contrário, é apenas obsessão e projeção. É infantil.”
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Conclusão:
Eu não recomendaria esse livro. Foi escrito a um bom tempo já e publicado no Brasil em 2008 e merece cair no esquecimento. Se gosta de um desafio ou é um grande fã de dramas cotidianos talvez lhe agrade, mas para o leitor generalista é quase certo que irá se desapontar.


Autora: Claire Messud
Livro: Os Filhos do Imperador (The Emperor’s Children).
Editora: Nova Fronteira (Vintage)
Ano: 2008 (2006)

Páginas: 478

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